A Brasscom estimou demanda de 797 mil profissionais de tecnologia entre 2021 e 2025, contra cerca de 53 mil formados por ano. Em 2024, 54,2% das indústrias citaram falta de pessoal qualificado como barreira, segundo o IBGE. O efeito é terceirizar mais e contratar com mais critério.
A falta de profissionais de tecnologia no Brasil é documentada por associações do setor e confirmada por pesquisas oficiais. A Brasscom estimou, em estudo de 2021, demanda de 797 mil talentos entre 2021 e 2025, enquanto o país forma cerca de 53 mil pessoas por ano no perfil tecnológico. Em 2024, 54,2% das indústrias com 100 ou mais pessoas apontaram falta de pessoal qualificado como dificuldade para adotar tecnologias, segundo a PINTEC Semestral do IBGE.
O que dizem os estudos sobre o déficit de profissionais?
As estimativas mais citadas vêm da Brasscom, associação das empresas de tecnologia da informação e comunicação. Elas projetam a demanda das empresas e comparam com a formação de novos profissionais.
| Indicador | Valor | Período | Fonte |
|---|---|---|---|
| Demanda projetada de talentos em tecnologia | 797 mil | 2021 a 2025 | Brasscom, estudo divulgado em dez/2021 |
| Demanda anual projetada | 159 mil por ano | 2021 a 2025 | Brasscom, estudo divulgado em dez/2021 |
| Formados por ano no perfil tecnológico | 53 mil | referência de 2021 | Brasscom, estudo divulgado em dez/2021 |
| Déficit anual estimado | 106 mil por ano | 2021 a 2025 | Brasscom, estudo divulgado em dez/2021 |
| Empregos em TIC | 2,02 milhões (1,904 milhão em 2021) | 2022 | Brasscom, Relatório Setorial (2023) |
| Empregos gerados em TIC | 117 mil | 2022 | Brasscom, Relatório Setorial (2023) |
| Demanda projetada de novos talentos | 541 mil posições | 2023 a 2025 | Brasscom, Relatório Setorial (2023) |
Os números são estimativas de uma entidade que representa as empresas, e por isso vale ler o método antes de citar. Mesmo assim, a direção é consistente entre as edições: a demanda projetada supera com folga o número de pessoas formadas a cada ano.
As pesquisas oficiais confirmam o problema?
Confirmam, por outro ângulo. As pesquisas do IBGE e do Cetic.br não medem vagas abertas, mas mostram que a falta de gente qualificada pesa nas decisões das empresas.
Na PINTEC Semestral 2024, do IBGE, que cobre as 10.167 indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas:
- 54,2% citaram falta de pessoal qualificado como dificuldade para adotar tecnologias digitais avançadas.
- Entre as 10,9% que não adotaram nenhuma dessas tecnologias, a falta de pessoal qualificado foi citada por 60,6%, ante 46,4% em 2022. Foi o fator que mais cresceu.
Na TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 36% das grandes empresas que não usaram inteligência artificial apontaram falta de pessoas qualificadas como obstáculo.
Quantas empresas têm equipe de tecnologia própria?
A minoria. Segundo a TIC Empresas 2025, apenas 36% das empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas têm uma área ou departamento de TI. A diferença por porte é grande.
| Porte da empresa | Têm área ou departamento de TI | Fonte |
|---|---|---|
| 10 a 49 pessoas ocupadas | 32% | Cetic.br, TIC Empresas 2025 (A1A) |
| 50 a 249 pessoas ocupadas | 63% | Cetic.br, TIC Empresas 2025 (A1A) |
| 250 ou mais pessoas ocupadas | 86% | Cetic.br, TIC Empresas 2025 (A1A) |
Perfis especializados em dados e IA são ainda mais raros. Segundo a mesma pesquisa, só 3% das empresas têm cientista de dados e 1% tem engenheiro de machine learning ou desenvolvedor de IA. Nas grandes, esses números sobem para 16% e 7%, respectivamente.
Quanto ganha um profissional de TI em comparação com outros setores?
A remuneração reflete a escassez. Na Pesquisa Anual de Serviços 2024, do IBGE, o salário médio nos serviços de tecnologia da informação foi de 5,2 salários mínimos, o quinto maior entre as atividades de serviços pesquisadas. O conjunto dos serviços de informação e comunicação empregou 1,4 milhão de pessoas, com salário médio de 4,5 salários mínimos.
Quais são os efeitos na contratação de projetos?
A escassez muda a forma como as empresas compram tecnologia. Alguns efeitos aparecem nos dados e outros na prática de mercado:
- Mais terceirização. Com poucas empresas tendo equipe própria, fornecedores externos preenchem a lacuna. Entre as empresas que usam IA, 54% usaram sistemas desenvolvidos ou modificados por fornecedores externos, segundo a TIC Empresas 2025.
- Mais solução pronta. Na mesma pesquisa, 80% das empresas que usam IA compraram sistemas prontos para uso. Montar time próprio para desenvolver do zero é exceção.
- Disputa por profissionais seniores. Quando o mercado está aquecido, fornecedores também disputam gente. Rotatividade na equipe alocada vira risco contratual.
- Prazos mais longos para formar equipe. Contratar um time interno leva meses; um fornecedor com equipe formada pode começar antes.
Para decidir entre os caminhos, o artigo software house ou equipe interna compara custo, controle e velocidade.
Como reduzir o risco ao contratar um fornecedor?
Se a falta de profissionais empurra a sua empresa para a terceirização, alguns cuidados reduzem a dependência:
- Pergunte quem são as pessoas que vão trabalhar no projeto e qual o vínculo delas com o fornecedor.
- Inclua no contrato regras de substituição de profissionais-chave e de transição de conhecimento.
- Exija documentação técnica e acesso ao código-fonte e aos repositórios desde o início.
- Prefira modelos de contrato que deem visibilidade sobre a equipe, como os descritos em escopo fechado, time and materials ou squad dedicado.
- Verifique avaliações de clientes anteriores sobre estabilidade da equipe e cumprimento de prazos.
Como ler esses números
Os dados sobre falta de profissionais têm limitações que convém conhecer:
- Estimativas antigas. O estudo da Brasscom com a projeção de 797 mil talentos foi divulgado em dezembro de 2021, e o relatório com dados de emprego de 2022 saiu em 2023. O mercado mudou desde então, inclusive com a IA alterando tarefas de desenvolvimento.
- Fonte setorial. A Brasscom representa empresas do setor. Os comunicados divulgados à imprensa não detalham a metodologia; ela está nos relatórios completos.
- Demanda projetada não é vaga aberta. Projeções dependem de premissas de crescimento e investimento. Não equivalem a vagas efetivamente anunciadas.
- Formados não são o único caminho. O número de 53 mil formados por ano considera cursos superiores. Profissionais vindos de cursos livres, bootcamps e migração de carreira não entram nessa conta.
- Pesquisas oficiais medem percepção. IBGE e Cetic.br registram o que as empresas declaram como dificuldade, não a quantidade de vagas não preenchidas.
- Coleta restrita. Os indicadores de IA e de cargos da TIC Empresas foram coletados apenas em empresas com especialista ou área de TI, e publicados para o total, o que reduz os percentuais.
Próximo passo
Se a sua empresa precisa de capacidade de desenvolvimento e não tem equipe própria, compare fornecedores com critérios objetivos: veja as software houses no diretório e os rankings por categoria, com metodologia pública, e use o checklist para escolher uma software house. Se você dirige uma empresa de tecnologia, crie ou reivindique o perfil gratuito na Citeo e mostre o tamanho real da equipe, especialidades e avaliações verificadas.
Fontes
- Convergência Digital — Brasil corre atrás de 797 mil profissionais de TI até 2025 (01/12/2021) — estudo da Brasscom com demanda de 797 mil talentos, 159 mil por ano, 53 mil formados e déficit de 106 mil por ano
- Convergência Digital — TI in house puxa as contratações de TIC no Brasil (19/05/2023) — Relatório Setorial da Brasscom: 2,02 milhões de empregos em 2022, 117 mil gerados e demanda de 541 mil posições
- IBGE — PINTEC Semestral 2024: uso de tecnologias digitais avançadas na indústria — falta de pessoal qualificado como dificuldade (54,2% e 60,6%)
- Cetic.br — TIC Empresas 2025, indicador A1A: área ou departamento de TI — 36% no total e recortes por porte
- Cetic.br — TIC Empresas 2025, indicador H14: tipos de cargos existentes — cientistas de dados e engenheiros de machine learning
- Cetic.br — TIC Empresas 2025, indicador H13: obstáculos ao uso de IA — falta de pessoas qualificadas entre grandes empresas
- Cetic.br — TIC Empresas 2025, indicador H9B: forma de aquisição de IA — fornecedores externos e sistemas prontos
- IBGE — Setor de serviços emprega 15,9 milhões de pessoas (PAS 2024) — salário médio nos serviços de TI e pessoal ocupado em informação e comunicação
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Perguntas frequentes
Faltam quantos profissionais de tecnologia no Brasil?
Segundo estudo da Brasscom divulgado em dezembro de 2021, a demanda seria de 797 mil talentos entre 2021 e 2025, cerca de 159 mil por ano, contra 53 mil formados anualmente. A entidade estimou déficit de 106 mil profissionais por ano.
Quantas pessoas trabalham com tecnologia no Brasil?
Segundo o Relatório Setorial da Brasscom divulgado em 2023, o setor de TIC tinha 2,02 milhões de empregos em 2022. Na Pesquisa Anual de Serviços 2024, do IBGE, os serviços de informação e comunicação empregavam 1,4 milhão de pessoas, num recorte diferente.
Quantas empresas brasileiras têm departamento de TI?
Segundo a TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 36% das empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas têm área ou departamento de TI. Entre as pequenas são 32%; entre as grandes, 86%.
A falta de profissionais atrapalha a adoção de tecnologia?
Sim, segundo a PINTEC Semestral 2024, do IBGE: 54,2% das indústrias com 100 ou mais pessoas citaram falta de pessoal qualificado como dificuldade. Entre as que não adotaram tecnologias avançadas, o índice chegou a 60,6%.
Terceirizar resolve a falta de profissionais?
Ajuda a ganhar velocidade, mas transfere parte do risco para o fornecedor, que também disputa profissionais no mercado. Cláusulas sobre equipe, documentação e transição reduzem esse risco.