Um contrato de sustentação de software define quais serviços estão incluídos, o horário de cobertura, os níveis de severidade, os tempos de resposta e de solução, como a disponibilidade é medida, os relatórios, os créditos por descumprimento, as exclusões e as regras de saída. SLA bom é mensurável e realista.
Um contrato de sustentação de software deve definir com precisão quais serviços estão incluídos (corretiva, preventiva, adaptativa e evolutiva), o horário de cobertura, os níveis de severidade com exemplos, os tempos de resposta e de solução para cada nível, como a disponibilidade é medida, os relatórios periódicos, os créditos por descumprimento, as exclusões e as regras de transição ao fim do contrato. Um SLA útil é mensurável, compatível com a infraestrutura usada e acompanhado mês a mês.
O que é sustentação de software e o que é SLA?
Sustentação é o conjunto de serviços que mantém um sistema funcionando, seguro e atualizado depois que ele entra em produção. Ela inclui corrigir defeitos, aplicar atualizações, monitorar, ajustar o sistema a mudanças externas e, quando contratado, fazer pequenas evoluções.
SLA (acordo de nível de serviço, do inglês service level agreement) é o compromisso contratual sobre como esse serviço será prestado: em quanto tempo a equipe responde, em quanto tempo resolve e qual disponibilidade o sistema deve ter. Dois termos complementares ajudam a estruturar o acordo:
- SLI (indicador de nível de serviço): a medida usada, como a porcentagem de requisições atendidas com sucesso ou o tempo até a primeira resposta a um chamado.
- SLO (objetivo de nível de serviço): a meta interna para esse indicador, normalmente mais exigente do que o SLA, para criar margem antes do descumprimento contratual.
Quais tipos de serviço entram na sustentação?
Misturar todos os tipos em uma única franquia é a origem de muitos conflitos. Separe-os no contrato.
| Tipo | O que é | Como costuma ser cobrado |
|---|---|---|
| Corretiva | Corrigir defeitos em funcionalidades existentes | Incluída no valor fixo, com SLA por severidade |
| Preventiva | Atualizar dependências, aplicar correções de segurança, revisar logs e monitoramento | Valor fixo mensal |
| Adaptativa | Ajustar o sistema a mudanças externas, como nova versão de API de terceiros ou regra fiscal | Franquia de horas ou orçamento por demanda |
| Evolutiva | Novas funcionalidades e melhorias | Franquia de horas, banco de horas ou projeto à parte |
| Operação | Monitoramento, backups, gestão de ambientes e resposta a incidentes | Valor fixo, às vezes com adicional para plantão |
Como definir severidades e tempos de atendimento?
A severidade deve ser definida pelo impacto no negócio do cliente, com exemplos escritos no contrato. Sem exemplos, cada chamado vira uma negociação sobre a classificação.
Uma estrutura comum tem quatro níveis:
- Crítica. Sistema indisponível ou função essencial parada, sem alternativa. Exemplo: ninguém consegue emitir pedidos.
- Alta. Função importante com falha, mas com contorno possível. Exemplo: um relatório gerencial não fecha, mas os dados podem ser extraídos manualmente.
- Média. Falha que afeta poucos usuários ou uma função secundária.
- Baixa. Dúvidas, ajustes visuais e problemas cosméticos.
Para cada nível, o contrato deve fixar três tempos distintos: tempo de resposta (primeira manifestação técnica), tempo de contorno (o sistema volta a funcionar, mesmo que provisoriamente) e tempo de solução definitiva. Defina também se o relógio corre em horário comercial ou em regime contínuo e quando ele para, por exemplo enquanto se aguarda uma informação do cliente.
Os valores dependem do que o cliente paga e da equipe disponível. Atendimento crítico fora do horário comercial exige escala de plantão, que tem custo próprio. Não prometa tempos que a equipe não consegue cumprir em todos os dias do mês.
Como calcular e medir a disponibilidade?
Disponibilidade é a porcentagem do tempo em que o sistema está funcionando no período medido. Em um mês de 30 dias, há 43.200 minutos. A conta mostra quanto tempo de indisponibilidade cada meta permite:
- 99% de disponibilidade: até 7,2 horas por mês fora do ar.
- 99,5%: até 3,6 horas.
- 99,9%: até 43,2 minutos.
- 99,95%: até 21,6 minutos.
- 99,99%: até 4,32 minutos.
Três cuidados evitam promessas impossíveis. Primeiro, a disponibilidade do sistema não pode superar a da infraestrutura em que ele roda; consulte os acordos do provedor de nuvem e da hospedagem. Segundo, defina como a disponibilidade é medida: qual verificação, de onde, com que frequência. Terceiro, liste as exclusões, como janelas de manutenção comunicadas com antecedência, falhas de serviços de terceiros e indisponibilidade causada pelo próprio cliente.
Como estruturar o preço da sustentação?
Os formatos mais usados combinam previsibilidade para o cliente e proteção para a software house:
- Valor fixo por escopo. Cobre corretiva, preventiva e operação de um sistema definido, com SLA.
- Franquia de horas. Um volume mensal de horas para adaptativa e evolutiva, com regra para horas não usadas e para excedentes.
- Banco de horas. Horas compradas antecipadamente e consumidas ao longo de um período.
- Por chamado. Útil para sistemas estáveis e de baixa demanda, menos previsível para os dois lados.
- Híbrido. Valor fixo para manter o sistema no ar e franquia para evoluções, o formato mais comum em sistemas de negócio.
O método para chegar ao valor da hora está em como precificar projeto de software.
Que métricas acompanhar todo mês?
O relatório mensal transforma o SLA de cláusula em prática. Inclua pelo menos:
- Chamados abertos, resolvidos e pendentes, por severidade.
- Cumprimento dos tempos de resposta, contorno e solução.
- Disponibilidade medida no período e incidentes relevantes, com causa e ação corretiva.
- Horas consumidas na franquia, por tipo de serviço.
- Atualizações de segurança aplicadas e pendentes.
- Mudanças implantadas em produção e quantas delas causaram falhas.
A estabilidade das entregas merece atenção especial quando a equipe usa IA para programar. O relatório DORA de 2024, do Google Cloud, associou um aumento de 25% na adoção de IA a uma redução estimada de 7,2% na estabilidade de entrega. O relatório de 2025 afirma que garantir que o software funcione como esperado antes da entrega continua sendo um desafio. Revisão de código e testes automatizados protegem o SLA. Veja também DevSecOps explicado para gestores.
Que cláusulas não podem faltar?
Além dos níveis de serviço, um contrato de sustentação deve tratar de:
- Escopo: quais sistemas, módulos, ambientes e integrações estão cobertos.
- Exclusões: o que não está coberto e como é orçado.
- Canais e horários de abertura de chamados.
- Severidades, tempos e regras de parada do relógio.
- Medição da disponibilidade e janelas de manutenção.
- Créditos ou descontos por descumprimento, com limite.
- Relatórios e reuniões de acompanhamento.
- Acessos, confidencialidade e segurança da informação, incluindo tratamento de dados pessoais conforme a LGPD.
- Plano de resposta a incidentes e comunicação ao cliente.
- Reajuste, prazo, renovação e rescisão.
- Transição: entrega de documentação, acessos e código ao fim do contrato.
Para os dois últimos itens, veja código-fonte e propriedade intelectual no contrato de software e resposta a incidentes: o que ter pronto. Este texto não substitui orientação jurídica.
Como o SLA vira argumento comercial?
Para muitas software houses, a sustentação é a principal fonte de receita recorrente. Um SLA cumprido e documentado é prova de maturidade operacional.
Compradores corporativos tendem a pedir evidências. A ISO/IEC 27001 trata a disponibilidade como um dos três pilares da segurança da informação, ao lado de confidencialidade e integridade. O SOC 2, definido pelo AICPA, inclui disponibilidade entre as categorias que o relatório pode cobrir, e o tipo 2 avalia se os controles funcionaram ao longo de um período. Mesmo sem certificação, relatórios mensais consistentes e avaliações de clientes de sustentação demonstram o mesmo compromisso.
Próximo passo
Clientes satisfeitos com a sustentação são os mais indicados para avaliar a empresa, porque convivem com ela há meses. Peça essas avaliações e publique-as em fontes independentes. Crie ou reivindique o perfil gratuito na Citeo ou conheça a área para empresas.
Fontes
- Google Cloud — Announcing the 2024 DORA report — aumento de 25% na adoção de IA associado a redução estimada de 7,2% na estabilidade de entrega
- Google — How are developers using AI? Inside our 2025 DORA report — garantir que o software funcione antes da entrega segue como desafio
- ISO — ISO/IEC 27001:2022 Information security management systems — confidencialidade, integridade e disponibilidade como objeto do sistema de gestão de segurança da informação
- Microsoft Learn — System and Organization Controls (SOC) 2 Type 2 — disponibilidade entre as categorias dos Trust Services Criteria e avaliação de controles ao longo de um período
Compare nota, avaliações verificadas e score, e fale direto com a empresa pela Citeo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre SLA, SLO e SLI?
SLI é o indicador medido, como o tempo de primeira resposta ou a porcentagem de requisições bem-sucedidas. SLO é a meta interna para esse indicador. SLA é o compromisso contratual com o cliente, normalmente menos exigente do que o SLO, com consequências em caso de descumprimento.
Qual disponibilidade prometer em um contrato de sustentação?
Depende da infraestrutura, da arquitetura e do quanto o cliente paga por redundância e plantão. A disponibilidade do sistema não pode superar a do provedor de nuvem ou da hospedagem. Faça a conta de minutos permitidos por mês antes de assinar.
Sustentação inclui novas funcionalidades?
Só se o contrato disser. O mais comum é separar a manutenção corretiva e preventiva, cobertas pelo valor fixo, das evoluções, cobradas por franquia de horas ou orçamento à parte. Misturar tudo numa franquia única tende a gerar conflito.
Como funcionam os créditos por descumprimento de SLA?
Créditos são descontos na mensalidade quando os níveis contratados não são atingidos. O contrato deve definir como o descumprimento é medido, o valor de cada crédito e um limite total. Eles compensam o cliente sem transformar cada falha em disputa judicial.
O que acontece ao fim do contrato de sustentação?
O contrato deve prever um período de transição, com entrega de documentação, acessos, credenciais e código atualizado ao cliente ou ao novo fornecedor. Sem essa cláusula, a troca de fornecedor tende a ser lenta e arriscada.