ISO/IEC 27001 certifica o sistema de gestão de segurança da informação e é reconhecida internacionalmente. SOC 2 é um relatório de auditoria independente pedido sobretudo por clientes dos EUA. MPS.BR avalia a maturidade de processos de software no modelo brasileiro da Softex. A escolha depende de quem compra de você.
As três referências mais citadas por software houses brasileiras resolvem problemas diferentes. A ISO/IEC 27001 certifica o sistema de gestão de segurança da informação da empresa e tem reconhecimento internacional. O SOC 2 é um relatório de auditoria independente sobre controles, criado pelo AICPA e muito pedido por clientes dos Estados Unidos. O MPS.BR avalia a maturidade dos processos de desenvolvimento no modelo brasileiro coordenado pela Softex. A escolha certa depende de quem compra de você e do que esse comprador pergunta.
Por que certificações ajudam a vender software?
Certificações reduzem o trabalho de verificação do comprador. Em vez de responder a um questionário de segurança com centenas de perguntas, a empresa apresenta uma evidência emitida por terceiro independente.
Isso importa porque a compra B2B envolve muita gente. O relatório da 6sense de 2024 indica um grupo de compra médio de 11 pessoas, e é comum que segurança da informação, jurídico e compras tenham poder de veto. Uma certificação adequada não ganha o contrato sozinha, mas evita que a empresa seja eliminada antes da avaliação técnica.
Como ISO 27001, SOC 2 e MPS.BR se comparam?
A tabela resume as diferenças principais.
| Aspecto | ISO/IEC 27001 | SOC 2 | MPS.BR |
|---|---|---|---|
| O que é | Norma internacional de sistema de gestão de segurança da informação | Exame de controles conduzido por auditor independente | Modelo brasileiro de melhoria de processo de software |
| Quem define | ISO e IEC | AICPA (Estados Unidos) | Softex |
| Quem emite | Organismo certificador independente | Firma de auditoria credenciada pelo AICPA | Instituição avaliadora autorizada pela Softex |
| Resultado | Certificado de conformidade | Relatório com opinião do auditor (tipo 1 ou tipo 2) | Nível de maturidade, de G a A |
| Foco | Riscos de segurança da informação | Segurança e, opcionalmente, disponibilidade, integridade de processamento, confidencialidade e privacidade | Processos de desenvolvimento e gestão de projetos |
| Onde pesa mais | Clientes corporativos no Brasil e no exterior | Clientes dos Estados Unidos | Parte dos compradores brasileiros, conforme o setor |
O que é a ISO/IEC 27001 e quando vale a pena?
A ISO/IEC 27001 é a norma internacional de requisitos para sistemas de gestão de segurança da informação. A edição vigente foi publicada em outubro de 2022 e recebeu em 2024 uma emenda relacionada a mudanças climáticas. Segundo a ISO, a norma se aplica a empresas de qualquer porte e setor e usa um processo de gestão de riscos para preservar a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade da informação.
Dois pontos costumam gerar confusão. Primeiro, a certificação é opcional: uma empresa pode adotar a norma sem se certificar. Segundo, a ISO não emite certificados. A própria organização informa que não presta serviços de certificação e que é preciso contratar um organismo certificador externo. Confira se o organismo é acreditado.
Vale a pena quando a software house atende clientes corporativos, setores regulados ou empresas estrangeiras que exigem evidência formal de segurança. Para empresas pequenas, o processo de implantação já organiza práticas que melhoram a resposta a questionários, mesmo antes da certificação.
O que é SOC 2 e quando vale a pena?
SOC 2 é um exame de controles de organizações prestadoras de serviço, definido pelo AICPA, a entidade dos contadores públicos certificados dos Estados Unidos. Ele é conduzido por uma firma de auditoria independente e credenciada, que emite uma opinião em relatório.
O relatório pode cobrir cinco categorias dos critérios de serviços de confiança (Trust Services Criteria): segurança, disponibilidade, integridade de processamento, confidencialidade e privacidade. Há dois tipos. O tipo 2 avalia se os controles foram bem desenhados e se funcionaram de forma efetiva ao longo de um período; o tipo 1 não examina um período de operação. A documentação da Microsoft sobre seus próprios relatórios, por exemplo, descreve exames tipo 2 com janela de 12 meses.
Vale a pena quando a empresa vende ou quer vender para clientes nos Estados Unidos, em especial empresas de maior porte, que com frequência pedem o relatório na avaliação de fornecedores. O tema do mercado externo está em como vender nearshore para EUA e Europa.
O que é MPS.BR e quando vale a pena?
MPS.BR (Melhoria de Processo do Software Brasileiro) é um programa coordenado pela Softex, lançado em dezembro de 2003, com um modelo de referência para processos de software, um método de avaliação e um modelo de negócio pensado para ser acessível a micro, pequenas e médias empresas.
O modelo tem sete níveis de maturidade, sequenciais e cumulativos:
- G — Parcialmente gerenciado.
- F — Gerenciado.
- E — Parcialmente definido.
- D — Largamente definido.
- C — Definido.
- B — Gerenciado quantitativamente.
- A — Em otimização.
A avaliação é feita por instituições autorizadas e publicada pela Softex. Um documento do programa registrava validade de três anos para as avaliações; confirme a regra vigente no portal da Softex antes de planejar.
Vale a pena quando os compradores do seu mercado pedem ou pontuam maturidade de processo, o que acontece em parte das contratações corporativas e públicas. Verifique editais e questionários recentes do seu setor antes de investir. Para o mercado externo, o modelo internacional equivalente mais conhecido é o CMMI.
Qual certificação buscar primeiro?
A decisão deve partir das exigências reais dos compradores, não da certificação mais famosa.
- Liste as exigências recebidas. Revise questionários de segurança, RFPs e editais dos últimos meses e anote o que foi pedido.
- Identifique onde perdeu ou quase perdeu. Certificações ausentes que eliminaram a empresa são prioridade.
- Considere o mercado-alvo. Clientes nos EUA tendem a pedir SOC 2; corporações no Brasil e na Europa costumam aceitar ISO/IEC 27001; alguns compradores brasileiros pontuam MPS.BR.
- Avalie o esforço. Todas exigem controles documentados, evidências e auditoria; o custo varia com o porte e o escopo.
- Comece pelo escopo mínimo útil. Certificar a operação que atende clientes, e não necessariamente toda a empresa, pode acelerar o primeiro ciclo.
Como preparar a empresa para a certificação?
Os passos são parecidos para as três referências:
- Nomear um responsável interno com tempo dedicado.
- Fazer um diagnóstico de lacunas em relação aos requisitos.
- Documentar políticas e processos que já existem e criar os que faltam.
- Implantar controles técnicos, como gestão de acessos, registro de eventos, backup e gestão de vulnerabilidades. Veja DevSecOps explicado para gestores.
- Tratar proteção de dados pessoais em conjunto, conforme o checklist de LGPD para empresas digitais.
- Gerar evidências contínuas, não só às vésperas da auditoria.
Como mostrar a certificação para compradores e IAs?
Certificação que o comprador não encontra não ajuda a vender. Publique em uma página do site o nome da norma ou do relatório, o escopo exato, o organismo ou auditor responsável, a data e a validade. Nunca descreva como certificado algo que está fora do escopo.
Repita os mesmos dados nos perfis em diretórios e plataformas de avaliação. Informações consistentes em várias fontes facilitam a verificação por compradores e por assistentes de IA. Em como responder uma RFP de tecnologia, há orientações para usar essas evidências em concorrências.
Próximo passo
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Fontes
- ISO — ISO/IEC 27001:2022 Information security management systems — definição da norma, edição de 2022, emenda de 2024, aplicação a qualquer porte e certificação opcional
- ISO — Conformity assessment — a ISO não presta serviços de certificação; papel do organismo certificador externo
- Microsoft Learn — System and Organization Controls (SOC) 2 Type 2 — SOC 2 criado pelo AICPA, cinco categorias dos Trust Services Criteria, tipo 1 e tipo 2, auditor independente, janela de 12 meses
- MCTI/Softex — MPS.BR: Melhoria de Processo do Software Brasileiro (2003–2006) — programa coordenado pela Softex, lançado em dezembro de 2003, níveis de G a A e validade das avaliações registrada no documento
- SBC — Benefícios, fatores de sucesso e dificuldades da implantação do modelo MPS.BR — nomes dos sete níveis de maturidade do MPS.BR
- Business Wire — 6sense Launches 2024 Buyer Experience Report Unveiling Global B2B Buyer Trends — grupo de compra B2B médio de 11 pessoas
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Perguntas frequentes
A ISO emite o certificado ISO 27001?
Não. A ISO informa que não presta serviços de certificação. O certificado é emitido por um organismo certificador independente, e é recomendável verificar se ele é acreditado.
Qual a diferença entre SOC 2 tipo 1 e tipo 2?
O tipo 2 avalia se os controles foram bem desenhados e se funcionaram de forma efetiva ao longo de um período definido. O tipo 1 não examina um período de operação. Clientes exigentes costumam pedir o tipo 2.
SOC 2 é uma certificação?
Tecnicamente, SOC 2 é um relatório de exame de controles com a opinião de um auditor independente, não um certificado. Na prática comercial, muitos compradores o tratam como equivalente a uma certificação na avaliação de fornecedores.
MPS.BR ainda é relevante para software houses?
Pode ser, dependendo do mercado. O modelo é coordenado pela Softex e pensado para ser acessível a empresas menores. Verifique se os compradores e editais do seu setor pedem ou pontuam o MPS.BR antes de investir.
Uma software house pequena consegue a ISO 27001?
Sim. Segundo a ISO, a norma se aplica a organizações de qualquer porte. O esforço depende do escopo escolhido e da maturidade atual dos controles; começar por um escopo restrito costuma tornar o primeiro ciclo viável.