Em agosto de 2019, a Brasscom estimou que o mercado brasileiro demandaria cerca de 420 mil profissionais de tecnologia entre 2019 e 2024, ou 70 mil por ano, enquanto o país formava cerca de 46 mil pessoas com perfil tecnológico por ano.
Em 9 de agosto de 2019, a Brasscom, associação das empresas de tecnologia da informação e comunicação, publicou o estudo "Formação Educacional e Empregabilidade em TIC". Ele estimou que o mercado brasileiro demandaria cerca de 420 mil profissionais de tecnologia entre 2019 e 2024, o equivalente a aproximadamente 70 mil por ano. Do outro lado, o país formava cerca de 46 mil pessoas por ano com perfil tecnológico. Sem mudanças, o estudo projetou um déficit de 260 mil profissionais no período. Para empresas que contratavam desenvolvimento de software, os números deram a dimensão de um mercado em que a demanda por profissionais superava a formação.
Quais eram os números do estudo?
| Indicador (Brasscom, 2019) | Valor |
|---|---|
| Demanda estimada 2019–2024 | cerca de 420 mil profissionais |
| Demanda no setor de TIC | 329 mil |
| Demanda em TI dentro de empresas de outros setores (in house) | cerca de 92 mil |
| Demanda média anual | cerca de 70 mil |
| Formados por ano com perfil tecnológico | cerca de 46 mil |
| Déficit projetado sem mudanças | 260 mil |
| Empregos no setor de TIC em 2018 | 845 mil, com saldo de 27 mil vagas no ano |
O estudo considerou como formação de perfil tecnológico cursos de bacharelado, licenciatura, tecnólogo e sequenciais. Também apontou que o subsetor de software e serviços de TI tinha a maior remuneração média entre os setores pesquisados, cerca de 2,8 vezes o salário médio nacional.
Onde estavam os empregos e os formandos?
A Brasscom comparou a distribuição dos empregos de TIC com a dos formandos por região:
- São Paulo: 42,9% dos empregos e 36,1% dos formandos;
- Sul: 18,5% dos empregos e 17,6% dos formandos;
- Minas Gerais e Rio de Janeiro: 16,0% dos empregos e 15,8% dos formandos;
- Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará: 8,9% dos empregos e 9,4% dos formandos;
- Amazonas e Distrito Federal: 6,9% dos empregos e 6,1% dos formandos.
Pelos números do estudo, São Paulo concentrava uma fatia dos empregos maior do que a sua fatia dos formandos.
Como o estudo foi lido depois?
O dado de 70 mil profissionais por ano contra 46 mil formados foi retomado por reportagens nos anos seguintes. Em julho de 2021, a Exame retomou o estudo de 2019 e destacou um déficit potencial de cerca de 24 mil profissionais por ano. A mesma reportagem lembrou previsões anteriores da Brasscom, como 36 mil vagas abertas em 2019 e 43 mil vagas não preenchidas em 2020.
A edição seguinte do estudo, publicada pela Brasscom em dezembro de 2021, elevou as estimativas: demanda média anual de 159 mil profissionais e 53 mil formandos por ano, segundo a Convergência Digital.
O que a escassez significou para quem contrata software?
Em um mercado com demanda maior que a oferta de profissionais, há riscos que quem contrata desenvolvimento deve considerar:
- Mais disputa por profissionais experientes, inclusive entre fornecedores e clientes.
- Rotatividade nas equipes alocadas em projetos.
- Pressão sobre preços de hora técnica e de squads dedicados.
- Prazos maiores para montar equipes novas.
- Necessidade de documentar bem os sistemas para reduzir a dependência de pessoas específicas.
O que isso significa hoje?
Os números de 2019 continuam úteis para entender por que a estabilidade da equipe é um critério importante na escolha de uma software house. Ao contratar, pergunte quem vai trabalhar no projeto, qual é a rotatividade da equipe, como o conhecimento é documentado e o que acontece se um profissional-chave sair. A Citeo reúne software houses para comparação.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantos profissionais de TI o Brasil precisaria até 2024, segundo a Brasscom?
O estudo de 2019 estimou demanda de cerca de 420 mil profissionais entre 2019 e 2024, ou aproximadamente 70 mil por ano.
Quantos profissionais de tecnologia o Brasil formava por ano?
Cerca de 46 mil pessoas por ano com perfil tecnológico, considerando bacharelado, licenciatura, tecnólogo e cursos sequenciais, segundo a Brasscom.
Qual era o déficit projetado?
Sem mudanças, a Brasscom projetou um déficit de 260 mil profissionais no período de 2019 a 2024.