Em 2015 o PIB brasileiro caiu 3,8%, a maior retração da série do IBGE iniciada em 1996, e o investimento das empresas recuou 14,1%. Mesmo assim, o mercado de TI cresceu 9,2% segundo ABES e IDC, puxado por software, enquanto as previsões para 2016 já apontavam desaceleração forte.
Em 2015, a economia brasileira teve a pior retração da série atual do IBGE: o PIB caiu 3,8% e o investimento das empresas (formação bruta de capital fixo) despencou 14,1%. O setor de tecnologia, porém, seguiu outra curva. Segundo o estudo anual da ABES com dados da IDC, o mercado de TI cresceu 9,2% no ano, com software subindo 30,2%. A conta mudou em 2016, quando as projeções passaram a indicar crescimento de apenas 2,6% a 3%.
Olhar para esse ano ajuda a entender um padrão que se repetiu em outras crises: quando a receita aperta, as empresas cortam equipamentos e projetos grandes, mas tendem a preservar o que gera eficiência imediata.
Qual foi o tamanho da recessão de 2015?
Os números do IBGE, divulgados em março de 2016, mostram uma retração espalhada por quase toda a economia. A indústria de transformação caiu 9,7% e a construção, 7,6%. O consumo das famílias recuou 4,0%, depois de ter crescido 1,3% em 2014. O real se desvalorizou 42% no ano, o que encareceu tudo o que era importado, inclusive hardware e licenças cotadas em dólar.
| Indicador (IBGE, 2015) | Variação |
|---|---|
| PIB | -3,8% |
| Indústria | -6,2% |
| Serviços | -2,7% |
| Agropecuária | +1,8% |
| Formação bruta de capital fixo (investimento) | -14,1% |
| Consumo das famílias | -4,0% |
| Importações de bens e serviços | -14,3% |
O PIB nominal ficou em R$ 5,904 trilhões e o PIB per capita caiu 4,6%. A queda anterior comparável na série estendida havia sido em 1990, com -4,3%.
Como o mercado de TI se comportou no mesmo ano?
O estudo da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), feito com a consultoria IDC e publicado em junho de 2016, registrou crescimento de 9,2% do mercado brasileiro de TI em 2015, contra uma média mundial de 5,6%. O total investido somou US$ 59,9 bilhões.
A divisão por segmento mostra onde estava o fôlego:
- Software: US$ 12,3 bilhões, alta de 30,2%, o segmento que puxou a média para cima.
- Serviços: US$ 14,3 bilhões, alta de 8,2%.
- Hardware: US$ 33,4 bilhões, alta de 6,3%, o menor ritmo entre os três.
Um ponto de cautela: os valores do estudo são em dólar e o crescimento é medido sobre bases que mudaram com o câmbio, por isso a comparação direta com o PIB em reais deve ser feita com cuidado. Ainda assim, a direção era clara: tecnologia resistiu melhor do que o restante da economia.
O que as previsões para 2016 já indicavam?
No fim de janeiro de 2016, a IDC Brasil projetou crescimento de apenas 2,6% para o mercado de TIC (tecnologia da informação e telecomunicações) naquele ano. Denis Arcieri, country manager da IDC Brasil, disse que o número era baixo, mas não surpreendente, porque a economia restringia investimentos. A consultoria esperava queda nas vendas de dispositivos, com cerca de 40 milhões de celulares, 6 milhões de PCs e 5 milhões de tablets. Também registrou que, em 2015, as assinaturas de telefonia móvel caíram pela primeira vez na série histórica.
A ABES, por sua vez, previu para 2016 crescimento de cerca de 3% em TI, perto de um terço do registrado em 2015. Entre as tendências citadas pela IDC estavam a nuvem pública crescendo cerca de 20% ao ano até o fim da década e a segurança ganhando pelo menos 2 pontos percentuais no orçamento de TI.
Por que a TI resistiu melhor do que a economia?
Os próprios estudos da época apontam algumas pistas, sem que seja possível isolar uma única causa:
- Software como ferramenta de eficiência: o salto de 30,2% em software sugere que empresas buscaram automatizar processos para fazer mais com menos gente.
- Transformação digital no planejamento: a ABES registrou que 54% das médias e grandes empresas planejavam investir em transformação digital em 2016.
- Nuvem como alternativa ao investimento em equipamento: com o dólar alto e o investimento em queda, contratar capacidade sob demanda era uma forma de não imobilizar capital.
O que isso significa hoje para quem contrata serviços digitais?
A lição de 2015 não é que tecnologia seja imune a crises. É que, em períodos de aperto, projetos com retorno mensurável e prazo curto sobrevivem melhor do que iniciativas longas e difusas. Para quem contrata uma software house ou uma consultoria, isso se traduz em escopos menores, entregas incrementais e indicadores definidos desde o início. Fornecedores que conseguiam demonstrar ganho de eficiência tiveram mais espaço naquele ciclo.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quanto o PIB brasileiro caiu em 2015?
Segundo o IBGE, o PIB caiu 3,8% em 2015, a maior retração da série atual, iniciada em 1996. O investimento das empresas recuou 14,1% e o consumo das famílias caiu 4,0%. Na série estendida, a queda só se compara à de 1990, quando o recuo foi de 4,3%.
O mercado de TI cresceu mesmo durante a recessão de 2015?
Sim, segundo o estudo da ABES com a IDC, o mercado brasileiro de TI cresceu 9,2% em 2015 e somou US$ 59,9 bilhões. O segmento de software foi o destaque, com alta de 30,2%. As previsões para 2016, porém, indicavam desaceleração para algo entre 2,6% e 3%.
Quais segmentos de TI sofreram mais em 2015 e 2016?
O hardware foi o segmento que menos cresceu em 2015, com alta de 6,3%, e a IDC projetou para 2016 queda nas vendas de celulares, computadores e tablets. A desvalorização de 42% do real encareceu equipamentos importados, o que ajuda a explicar a diferença em relação a software e serviços.