A pesquisa TIC Governo Eletrônico 2015, do Cetic.br, mostrou que só 24% das prefeituras tinham site adaptado ao celular e 4% ofereciam aplicativos próprios. Entre órgãos federais e estaduais, 21% tinham aplicativos, num ano em que o celular virou o principal acesso à internet.
Em 2015, o setor público brasileiro ainda estava atrás da população no uso do celular. Segundo a pesquisa TIC Governo Eletrônico 2015, do Cetic.br, apenas 24% das prefeituras tinham site adaptado a dispositivos móveis e só 4% ofereciam aplicativos criados pela própria administração municipal. Entre órgãos federais e estaduais, 21% ofereciam aplicativos. No mesmo ano, segundo outra pesquisa do Cetic.br, o celular se tornou o principal meio de acesso à internet dos brasileiros.
A pesquisa foi a campo entre julho e outubro de 2015, com 996 prefeituras e 620 órgãos federais e estaduais, e os resultados foram divulgados em abril de 2016.
Como estava a presença digital das prefeituras?
Ter um site já era comum, mas com diferenças regionais importantes. A tabela resume os números por região.
| Região | Prefeituras com website | Prefeituras com perfil em redes sociais |
|---|---|---|
| Sul | 99% | 66% |
| Centro-Oeste | 98% | 66% |
| Sudeste | 92% | 64% |
| Norte | 78% | 67% |
| Nordeste | 76% | 66% |
Entre as prefeituras com perfil em redes sociais, 84% publicavam diária ou semanalmente. O site adaptado ao celular, presente em 24% delas, era o recurso móvel mais citado.
Quais recursos móveis o setor público oferecia?
Os demais recursos móveis eram pouco frequentes nas prefeituras:
- Transações e pagamentos pelo celular: 8%
- Envio de SMS para cidadãos: 7%
- Recebimento de SMS de cidadãos: 7%
- Aplicativos criados por empresas ou cidadãos a partir de dados municipais: 6%
- Aplicativos criados pela própria prefeitura: 4%
Nos níveis federal e estadual, o quadro era melhor, mas ainda distante do universal. Metade dos órgãos federais (50%) e 42% dos estaduais tinham site adaptado ao celular. Aplicativos feitos pelo próprio governo estavam em 33% dos órgãos federais e 20% dos estaduais. Por poder, o Judiciário (39%) e o Legislativo (34%) lideravam a oferta de aplicativos.
Os aplicativos desenvolvidos por empresas ou cidadãos a partir de dados do governo apareciam em 19% dos órgãos federais, 11% dos estaduais e 6% das prefeituras, um indicador indireto do uso de dados abertos.
Por que a defasagem chamava atenção?
A mesma divulgação lembrou que, já em 2014, segundo o CGI.br, 81,5 milhões de brasileiros usavam a internet pelo celular, e 84% deles se conectavam todos os dias. Em 2015, a TIC Domicílios mostrou que 89% dos usuários de internet acessavam pelo celular. Ou seja, o cidadão já estava no celular, mas a maior parte dos serviços municipais não estava preparada para recebê-lo.
Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, afirmou que a ampliação de iniciativas desse tipo poderia facilitar o acesso dos cidadãos a informações e serviços públicos, e que a pesquisa ajudava a entender as desigualdades entre prefeituras no acesso e uso de TIC.
O que esse retrato significava para fornecedores de tecnologia?
Para empresas de software e agências que atendiam o setor público, os dados de 2015 indicavam demandas claras:
- Adaptação de portais municipais ao celular, a necessidade mais evidente.
- Serviços transacionais, como pagamentos e emissão de documentos, ainda raros.
- Publicação de dados em formatos que permitissem a criação de aplicativos por terceiros.
- Redução das diferenças regionais, já que Norte e Nordeste tinham menos prefeituras com site.
O que isso significa hoje para quem contrata projetos para o setor público?
O retrato de 2015 mostra que presença digital não é o mesmo que serviço digital. Ao contratar o desenvolvimento de portais ou aplicativos públicos, vale exigir acessibilidade, funcionamento em celulares de entrada, integração com sistemas existentes e indicadores de uso. Um site que existe, mas não permite resolver nada pelo celular, atende mal a maior parte da população.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantas prefeituras tinham site adaptado ao celular em 2015?
Segundo a TIC Governo Eletrônico 2015, do Cetic.br, 24% das prefeituras tinham site adaptado a dispositivos móveis. Era o recurso móvel mais comum entre os municípios, mas ainda minoritário.
Os órgãos públicos ofereciam aplicativos em 2015?
Poucos. Entre órgãos federais e estaduais, 21% ofereciam aplicativos móveis; entre as prefeituras, apenas 4% tinham aplicativos criados pela própria administração. No Judiciário, o índice chegava a 39%.
Como foi feita a pesquisa TIC Governo Eletrônico 2015?
A coleta ocorreu entre julho e outubro de 2015, com 996 prefeituras e 620 órgãos federais e estaduais. Os resultados foram divulgados pelo Cetic.br, ligado ao NIC.br e ao CGI.br, em abril de 2016.