Em maio de 2024 vieram a público mais de 2.500 páginas de documentação interna da API de busca do Google, com 14.014 atributos. O Google confirmou a autenticidade, mas alertou contra conclusões fora de contexto. Os papéis citavam cliques, dados do Chrome e autoridade de site.
Em maio de 2024, veio a público uma documentação interna da busca do Google com mais de 2.500 páginas, 2.596 módulos e 14.014 atributos. O material foi publicado por engano num repositório público do próprio Google por volta de 13 de março de 2024 e ganhou repercussão no fim de maio, quando Rand Fishkin, da SparkToro, e Michael King, da iPullRank, publicaram análises. Em 29 de maio, o Google confirmou à imprensa que os documentos eram autênticos, mas pediu cautela com interpretações fora de contexto.
Como os documentos vieram a público?
A cronologia, segundo a Wikipédia, foi a seguinte:
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| ~13/03/2024 | Um robô automatizado publicou a documentação da API Content Warehouse em repositório público do Google no GitHub |
| 07/05/2024 | Uma atualização tentou remover o material, que já havia sido copiado por um serviço de documentação |
| 27/05/2024 | Rand Fishkin publicou seu relato no blog da SparkToro |
| 28/05/2024 | Michael King publicou a análise técnica |
| 29/05/2024 | O Google confirmou a autenticidade ao The Verge |
O material chegou a Fishkin por meio de Erfan Azimi, que o encontrou e compartilhou. Fishkin consultou ex-funcionários do Google para verificar a autenticidade antes de publicar.
O que os documentos mostraram?
Os pontos mais comentados envolviam temas que o Google havia negado ou minimizado publicamente ao longo dos anos:
- NavBoost: sistema que usa métricas de cliques para ajustar posições; um vice-presidente do Google já havia dito em depoimento no processo antitruste que dados de clique são usados desde cerca de 2005;
- atributos de clique, com nomes como "goodClicks", "badClicks" e "lastLongestClicks";
- dados do Chrome, em atributos que sugeriam uso de informações do navegador para avaliar qualidade e popularidade;
- siteAuthority, que parecia ser uma pontuação de autoridade no nível do site;
- idade do domínio e "sandbox", com referências a mecanismos para conteúdo novo;
- autores como entidades, sugerindo que o Google pode reconhecer quem escreve.
Quais eram os limites do vazamento?
A própria cobertura da época destacou ressalvas importantes. A documentação não continha código-fonte e não revelava o peso de cada sinal. Também não era possível saber quais atributos estavam ativos, quais haviam sido descontinuados ou quais nunca foram usados para ordenar resultados.
O porta-voz do Google Davis Thompson, ao confirmar a autenticidade, advertiu contra "suposições imprecisas sobre a Busca" feitas a partir de informações fora de contexto ou incompletas.
Por que o episódio foi relevante para o mercado?
O vazamento não entregou uma receita de ranqueamento, mas mudou o tom da conversa entre agências e clientes. Ele reforçou que comportamento do usuário, reputação do site como um todo e identidade de autores fazem parte do vocabulário interno do Google. Para o mercado brasileiro, que acompanhou o caso pela cobertura internacional, a principal consequência foi uma desconfiança maior em relação a declarações genéricas sobre o que "o Google não usa".
O que isso significa hoje?
Para quem contrata SEO, a lição de 2024 é desconfiar tanto de quem diz conhecer o algoritmo quanto de quem ignora sinais de experiência do usuário. Peça ao fornecedor que explique as hipóteses que orientam o trabalho, como elas serão testadas e quais métricas vão mostrar se funcionaram.
Fontes
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Perguntas frequentes
O Google confirmou o vazamento?
Sim. Em 29 de maio de 2024, um porta-voz confirmou ao The Verge que os documentos eram autênticos, mas alertou contra conclusões baseadas em informações fora de contexto ou incompletas.
O vazamento mostrou como o Google ordena os resultados?
Não por completo. A documentação listava módulos e atributos, mas não trazia código nem o peso de cada sinal, e não indicava quais atributos estavam efetivamente em uso.
Quem divulgou os documentos?
Erfan Azimi encontrou o material e o repassou a Rand Fishkin, da SparkToro, que o verificou e publicou um relato em 27 de maio de 2024. Michael King, da iPullRank, fez a análise técnica detalhada.