Em 19 de julho de 2024, uma atualização defeituosa do sensor Falcon, da CrowdStrike, derrubou 8,5 milhões de computadores Windows no mundo. No Brasil, houve atrasos em voos da Azul e falha no app do Bradesco. Não foi ataque, mas mostrou o risco de fornecedores críticos.
Em 19 de julho de 2024, uma atualização de conteúdo do sensor Falcon, software de segurança da CrowdStrike, fez computadores com Windows travarem na chamada "tela azul". A Microsoft estimou que 8,5 milhões de dispositivos foram afetados no mundo, menos de 1% das máquinas Windows. Bancos, aeroportos e varejo sentiram o impacto. No Brasil, a Azul teve atrasos pontuais e o aplicativo do Bradesco ficou instável. A CrowdStrike afirmou que não se tratava de ataque cibernético.
O que causou o apagão?
Segundo a Agência Brasil, a CrowdStrike informou que uma atualização de conteúdo para o sensor Falcon em computadores Windows provocou as falhas. Máquinas com Mac e Linux não foram afetadas. O CEO George Kurtz afirmou que o problema não era incidente de segurança nem ataque, e que a correção já havia sido implantada.
A Microsoft, por meio do vice-presidente David Weston, disse que os amplos impactos econômicos e sociais refletiam o uso da CrowdStrike por empresas que operam muitos serviços críticos, segundo o Canaltech.
Como o Brasil foi afetado?
| Setor | Impacto relatado em 19/07/2024 |
|---|---|
| Aviação | Azul com atrasos pontuais por intermitência no sistema de reservas; check-in manual em Brasília e no Santos Dumont |
| Bancos | Aplicativo do Bradesco com falha e aviso de indisponibilidade; terminais funcionando |
| Sistema financeiro | Febraban relatou normalização na maioria das instituições pela manhã |
| Banco Central | Sistemas operando normalmente |
| Controle aéreo | Força Aérea informou operação normal |
No Aeroporto de Brasília, segundo a Agência Brasil, até as 11h cinco voos haviam decolado com atraso e outros três seguiam atrasados, todos da Azul. O Bradesco pediu aos clientes que não desinstalassem o aplicativo, para não perder a chave de segurança.
Que lições o episódio deixou?
O apagão mostrou que um fornecedor de segurança pode ser, ele mesmo, um ponto único de falha. As lições discutidas no mercado depois do incidente podem ser resumidas assim:
- Mapear fornecedores críticos: saber quais softwares têm acesso profundo ao sistema operacional e podem parar a operação inteira;
- Entender a política de atualização: perguntar se as atualizações chegam a todas as máquinas ao mesmo tempo ou em ondas;
- Ter plano de contingência manual: aeroportos que fizeram check-in manual reduziram o impacto;
- Testar a recuperação: medir quanto tempo leva para restaurar máquinas sem acesso remoto;
- Revisar contratos: verificar níveis de serviço, responsabilidades e comunicação em incidentes.
Como a CrowdStrike reagiu depois?
Em setembro de 2024, a empresa voltou a pedir desculpas publicamente, com a frase "decepcionamos nossos clientes", registrada pelo Olhar Digital. Nos dias seguintes ao apagão, as ações da companhia caíram com força, como noticiou o portal Eu Quero Investir.
O que isso significa hoje?
Para uma empresa que contrata serviços de TI ou de cibersegurança em 2026, o caso CrowdStrike virou referência de pergunta obrigatória: o que acontece se a ferramenta de vocês falhar? Um bom fornecedor deve explicar como testa e distribui atualizações, como apoia a recuperação e o que o contrato prevê. Ao comparar empresas de cibersegurança, inclua resiliência e plano de resposta a incidentes nos critérios.
Fontes
- Agência Brasil: Apagão cibernético afetou voos da Azul e aplicativo do Bradesco (19/07/2024)
- Canaltech: Apagão cibernético atingiu 8,5 milhões de computadores, segundo Microsoft
- Olhar Digital: CrowdStrike pede desculpas por apagão cibernético (25/09/2024)
- Eu Quero Investir: Ações da CrowdStrike derretem três dias após apagão cibernético
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Perguntas frequentes
O apagão de julho de 2024 foi um ataque hacker?
Não. A CrowdStrike e a Microsoft informaram que a causa foi uma atualização defeituosa do sensor Falcon em computadores Windows, sem relação com ataque ou invasão.
Quantos computadores foram afetados?
A Microsoft estimou 8,5 milhões de dispositivos Windows, menos de 1% do total de máquinas com o sistema no mundo.
Quais serviços foram afetados no Brasil?
A Azul teve atrasos pontuais e check-in manual em alguns aeroportos, e o aplicativo do Bradesco apresentou falhas. A Febraban relatou normalização na maioria das instituições na mesma manhã, e o Banco Central informou que seus sistemas funcionaram normalmente.