Segundo a Fortinet, o Brasil registrou 31,5 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2022, alta de 94% sobre o mesmo período de 2021, e ficou em segundo lugar na América Latina, atrás do México. O ransomware foi o principal motor do crescimento.
No primeiro semestre de 2022, o Brasil registrou 31,5 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos contra empresas e usuários, 94% a mais que no mesmo período de 2021, segundo o laboratório FortiGuard Labs, da empresa de segurança Fortinet, em dados noticiados pelo Canaltech. O país ficou em segundo lugar na América Latina, atrás do México, e respondeu por 22,9% do total da região. O ransomware, ataque que sequestra dados e sistemas em troca de resgate, foi apontado como o principal motor do crescimento.
Como o Brasil se comparou com a região?
| Indicador (1º semestre de 2022) | Valor |
|---|---|
| Tentativas de ataque no Brasil | 31,5 bilhões |
| Variação sobre o 1º semestre de 2021 | +94% |
| Participação do Brasil na América Latina | 22,9% |
| Tentativas de intrusão na América Latina | 137 bilhões |
| México | 85 bilhões |
Para dar escala, a Fortinet havia registrado mais de 88,5 bilhões de tentativas de ataque no Brasil no ano inteiro de 2021, alta de mais de 950% sobre os cerca de 8,5 bilhões de 2020, segundo a Convergência Digital. Números desse tipo contam tentativas detectadas pelos sensores da empresa, não ataques bem-sucedidos.
O que mudou no ransomware?
O relatório destacou a profissionalização dos grupos de ransomware, com papéis especializados para cada etapa do ataque. Entre os dados citados:
- mais de 10,6 mil assinaturas de vírus ligadas a ransomware foram encontradas na América Latina, quase o dobro do primeiro semestre de 2021;
- os grupos REvil, LockBit e Hive somavam mais de 6,9 mil variantes em circulação;
- México (cerca de 18 mil detecções), Colômbia (17 mil) e Costa Rica (14 mil) lideraram as detecções de ransomware por país, e o Brasil ficou em sexto lugar;
- o grupo Conti foi destacado após os ataques ao governo da Costa Rica.
O REvil é o mesmo grupo apontado como responsável pelo ataque à JBS em 2021.
Quais outras ameaças apareceram?
Além do ransomware, a Fortinet apontou:
- a vulnerabilidade Log4Shell, na biblioteca Java Log4j, divulgada em dezembro de 2021, como a mais explorada na América Latina no semestre, ainda usada como porta de entrada em organizações no mundo todo;
- malware hospedado em serviços web legítimos, muitas vezes distribuído por meio de documentos do Excel;
- a botnet Mirai, que transforma dispositivos conectados em ferramentas para ataques de negação de serviço.
O que os números indicam para empresas?
O dado de que a Log4Shell seguia como a vulnerabilidade mais explorada meses depois da correção sugere que muitos sistemas continuavam sem atualização. E a profissionalização descrita pela Fortinet, com papéis especializados para cada etapa, indica que o ransomware passou a ser operado como negócio organizado, e não como ação isolada.
O que isso significa hoje para quem contrata?
Ao contratar serviços de segurança, ou ao avaliar a segurança de um fornecedor de software, vale verificar:
- se existe gestão de vulnerabilidades com prazos definidos para aplicar correções;
- se há inventário de bibliotecas e componentes de terceiros usados nos sistemas;
- se as cópias de segurança são isoladas e a restauração é testada;
- se há monitoramento e plano de resposta a incidentes documentado.
Empresas de segurança podem ser comparadas na categoria de cibersegurança.
Fontes
- Canaltech: Brasil é o segundo país que mais sofre ataques cibernéticos na América Latina
- Convergência Digital: Brasil sofreu 500 bilhões de tentativas de ataques DDoS em 2021 (08/02/2022)
- WeLiveSecurity (ESET): O que se sabe até agora sobre a vulnerabilidade Log4Shell (14/12/2021)
- Tecnoblog: JBS pagou US$ 11 milhões a hackers (ataque do REvil)
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Perguntas frequentes
Quantas tentativas de ciberataque o Brasil sofreu no primeiro semestre de 2022?
31,5 bilhões, segundo a Fortinet, alta de 94% sobre o mesmo período de 2021. O país ficou em segundo lugar na América Latina, atrás do México.
Qual foi a vulnerabilidade mais explorada na América Latina no primeiro semestre de 2022?
Excluindo o ransomware, a Log4Shell, falha na biblioteca Java Log4j divulgada em dezembro de 2021, segundo a Fortinet.
Os números da Fortinet representam ataques bem-sucedidos?
Não. São tentativas detectadas pelos sensores da empresa. Eles indicam o volume de atividade maliciosa, mas não quantas invasões de fato ocorreram.