No fim de maio de 2021, a JBS teve operações paralisadas nos Estados Unidos e na Austrália por um ataque de ransomware atribuído ao grupo REvil. A empresa pagou US$ 11 milhões em bitcoin, cerca de R$ 56 milhões na época, para restabelecer as fábricas.
O ataque à JBS foi uma das maiores ofensivas de ransomware de 2021: identificado em 30 de maio, ele paralisou operações da companhia nos Estados Unidos e na Austrália e afetou também o Canadá. O ataque foi atribuído ao grupo REvil, e a JBS confirmou em 9 de junho que pagou US$ 11 milhões em bitcoin aos criminosos, o equivalente a cerca de R$ 56 milhões na cotação da época. O caso tornou-se referência no debate sobre pagar ou não resgates.
O que aconteceu, em ordem cronológica?
| Data (2021) | Fato |
|---|---|
| 30 de maio | Ataque identificado |
| 31 de maio | JBS suspende sistemas afetados e aciona autoridades e especialistas externos |
| 1º de junho | Empresa informa ao governo dos EUA que o ataque pode ter vindo de organização baseada na Rússia; Casa Branca diz que o FBI investiga |
| 1º de junho | Pagamento de US$ 11 milhões em bitcoin, segundo o Tecnoblog |
| 9 de junho | JBS confirma o pagamento em comunicado |
Segundo o Tecnoblog, a exigência inicial dos criminosos foi de US$ 22,5 milhões. A Pilgrim's Pride, subsidiária americana do grupo e segunda maior processadora de frango dos EUA, também foi atingida, de acordo com o Poder360.
Quem é o REvil e como funciona esse tipo de ataque?
O REvil é descrito como um grupo de suposta origem russa, ativo desde pelo menos 2019, que opera no modelo de ransomware como serviço: os desenvolvedores do código alugam a ferramenta a afiliados, que executam as invasões e dividem o lucro.
Num ataque de ransomware típico, os criminosos entram na rede, criptografam sistemas e arquivos e exigem pagamento para liberar o acesso. Muitas vezes também copiam dados e ameaçam publicá-los, a chamada dupla extorsão.
Por que a JBS decidiu pagar?
O então presidente da JBS USA, André Nogueira, disse que a decisão foi "muito difícil" para a companhia e para ele pessoalmente. Segundo o Poder360, o objetivo declarado foi restabelecer rapidamente todas as fábricas e limitar o impacto no abastecimento de restaurantes, mercados e produtores que fornecem à empresa. "Foi muito doloroso pagar os criminosos, mas fizemos a coisa certa pelos nossos clientes", afirmou.
Em comunicado de 31 de maio, a companhia disse não ter evidências de que dados de clientes, fornecedores ou funcionários tivessem sido comprometidos.
Quais lições ficaram para empresas brasileiras?
O caso JBS chamou atenção porque envolveu uma empresa brasileira de grande porte e uma cadeia de suprimentos física, não apenas sistemas digitais. Algumas lições que o episódio evidencia:
- Continuidade operacional depende de TI. Fábricas e logística pararam porque sistemas pararam.
- Plano de resposta precisa existir antes do ataque. Saber quem decide, quem comunica e quais especialistas acionar encurta a crise.
- Cópias de segurança isoladas e testadas reduzem a pressão para pagar, embora não eliminem o risco de vazamento de dados copiados.
- Pagar não é garantia. Pagamento não assegura recuperação total nem impede que os dados sejam usados depois.
- Coordenação com autoridades fez parte da resposta da JBS desde o primeiro dia.
O que isso significa hoje para quem contrata?
Para empresas que contratam desenvolvimento, infraestrutura ou segurança, o episódio reforça perguntas concretas: o fornecedor mantém backups segregados e testa a restauração? Há monitoramento e plano de resposta a incidentes documentado? Quem é acionado de madrugada num fim de semana? Fornecedores de segurança podem ser comparados na categoria de cibersegurança.
Fontes
Compare nota, avaliações verificadas e score, e fale direto com a empresa pela Citeo.
Perguntas frequentes
Quanto a JBS pagou de resgate em 2021?
A JBS pagou US$ 11 milhões em bitcoin, cerca de R$ 56 milhões na cotação da época. A exigência inicial dos criminosos, segundo o Tecnoblog, havia sido de US$ 22,5 milhões.
Quais operações da JBS foram afetadas?
Foram afetadas operações nos Estados Unidos e na Austrália, que chegaram a ser paralisadas, além do Canadá. A subsidiária americana Pilgrim's Pride também foi atingida.
A JBS informou vazamento de dados?
Em comunicado de 31 de maio de 2021, a empresa disse não ter evidências de que dados de clientes, fornecedores ou funcionários tivessem sido comprometidos.