Em 19 de agosto de 2021, um ataque cibernético deixou fora do ar sites e parte dos sistemas das Lojas Renner. O e-commerce voltou em 21 de agosto e o Cartão Renner em 22. A empresa disse que suas principais bases de dados foram preservadas e negou ter pago resgate.
O ataque às Lojas Renner, em 19 de agosto de 2021, derrubou o site da marca principal e os de Camicado e Ashua, além de parte dos sistemas internos, num dos incidentes mais visíveis do varejo brasileiro naquele ano. A empresa comunicou à CVM a "indisponibilidade em parte de seus sistemas e operação", disse que suas principais bases de dados estavam preservadas e negou ter pago resgate. O e-commerce e o login de clientes voltaram em 21 de agosto, e o Cartão Renner, no dia 22.
O que foi afetado no dia do ataque?
Segundo o portal Baguete, fontes relataram que o ambiente de computação e rede estava indisponível desde as 11h50 de 19 de agosto. Os efeitos visíveis para o consumidor foram:
- sites da Renner, da Camicado e da Ashua fora do ar (o da YouCom funcionava normalmente);
- página de pagamentos online ligada à Realize Soluções Financeiras, braço financeiro do grupo, inacessível;
- em ao menos uma loja visitada pela reportagem, em São Paulo, apenas pagamento em dinheiro era aceito no fim da tarde.
A empresa afirmou que as lojas físicas não foram interrompidas e que acionou seus protocolos de segurança.
Foi ransomware?
A Renner confirmou um ataque cibernético, mas não informou se foi ransomware nem o tipo de código usado. Circulou na internet, sem confirmação oficial, uma nota de resgate atribuída ao grupo RansomEXX e uma imagem com mensagem de que os arquivos tinham sido criptografados. Também circularam rumores sobre pagamento de resgate, que a empresa negou em declaração à Exame em 20 de agosto.
O Tecmundo noticiou que máquinas da Renner no data center da Tivit, em São Paulo, foram criptografadas. A Tivit negou impacto sobre seus clientes.
Quanto tempo levou a recuperação?
| Data (agosto de 2021) | Situação |
|---|---|
| Quinta, 19 | Ataque; sites e parte dos sistemas fora do ar |
| Sexta, 20 | Renner nega pagamento de resgate; Procon-SP notifica a empresa |
| Sábado, 21 | Login de clientes e e-commerce voltam a funcionar |
| Domingo, 22 | Cartão Renner, operado pela Realize, volta a operar |
O Procon-SP pediu à empresa que informasse quais bases foram atingidas, o grau de exposição e se dados pessoais de clientes vazaram. A cobertura da época não registrou vazamento confirmado.
Por que o caso chamou atenção?
O episódio mostrou a dependência que um varejista com operação omnicanal tem de sistemas integrados: o mesmo ataque afetou site, pagamentos, cartão próprio e o caixa de lojas físicas. A comunicação pública foi restrita a dois fatos relevantes à CVM, o que alimentou especulação nas redes sociais. A reportagem do Baguete registrou ainda que diversas outras grandes empresas e órgãos públicos brasileiros haviam sido atingidos por ransomware no período recente.
O que isso significa hoje para quem contrata?
Para quem contrata plataforma de e-commerce, meios de pagamento ou hospedagem, o caso Renner sugere perguntas objetivas:
- Os ambientes de e-commerce, pagamentos e lojas físicas são segregados, ou uma invasão pode alcançar todos?
- Existe plano de continuidade para vender com sistemas degradados?
- Qual é o tempo-alvo de recuperação de cada sistema, e ele já foi testado?
- Como e por quem será feita a comunicação com clientes e órgãos de defesa do consumidor?
- O provedor de data center ou nuvem tem responsabilidades claras em contrato?
Fornecedores de segurança e de software podem ser comparados nas categorias de cibersegurança e software.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quando as Lojas Renner sofreram o ataque cibernético?
Em 19 de agosto de 2021. A empresa comunicou à CVM a indisponibilidade de parte de seus sistemas e operações no mesmo dia.
A Renner pagou resgate aos criminosos?
A empresa negou ter pago resgate, em declaração à Exame em 20 de agosto de 2021. Rumores sobre um pagamento circularam, mas não foram confirmados.
Houve vazamento de dados de clientes da Renner?
A empresa afirmou que suas principais bases de dados foram preservadas. A cobertura da época não registrou vazamento confirmado, e o Procon-SP notificou a companhia pedindo esclarecimentos.