Na plenária de cibersegurança do VII Fórum da Internet no Brasil, em novembro de 2017, especialistas apontaram que universidades não formavam profissionais suficientes, que empresas desenvolviam software sem pensar em segurança e que brinquedos e dispositivos conectados traziam novos riscos.
Em 2017, a cibersegurança foi tema de uma das plenárias do VII Fórum da Internet no Brasil, organizado pelo CGI.br no Rio de Janeiro entre 14 e 17 de novembro. Na sessão de 15 de novembro, Cristine Hoepers, gerente do CERT.br, resumiu o cenário: "Velhos problemas persistem. Temos muitas vulnerabilidades, preocupação zero com segurança." Adriano Cansian, da Unesp, defendeu ampliar a formação em cibersegurança, afirmando que as universidades não formavam profissionais com as habilidades e atitudes de que o mercado precisava.
O debate reuniu três problemas que continuam atuais para empresas: software sem segurança desde o projeto, dispositivos conectados vulneráveis e escassez de profissionais qualificados.
Quais tendências de ataque foram apresentadas?
Segundo o NIC.br, Cristine Hoepers mostrou as principais tendências observadas nas notificações recebidas pelo CERT.br:
- Varreduras atrás de logins fracos: em serviços como e-mail e acesso remoto a câmeras.
- Negação de serviço com botnets de IoT e amplificação: em 2016, foram 60.432 notificações de computadores envolvidos em ataques DoS, alta de 138%.
- Ataques a dispositivos e infraestrutura: câmeras, equipamentos médicos, roteadores e infraestrutura crítica, como dutos, semáforos e iluminação pública.
- Problemas antigos: autenticação fraca e portas de acesso deixadas por fabricantes.
Hoepers também afirmou que empresas desenvolviam software sem considerar segurança. Segundo dados citados na plenária, o Brasil tinha mais de 5 mil sistemas autônomos, e cerca de um terço tinha problemas de configuração que permitiam abuso de serviços.
O que foi dito sobre formação de profissionais?
| Participante | Posição registrada pelo NIC.br |
|---|---|
| Adriano Cansian (Unesp) | Universidades não formavam profissionais com as habilidades necessárias; analistas precisam de curiosidade, persistência e estudo de programação, sistemas operacionais e redes |
| Gen. Jayme Queiroz (CDCiber) | "Na área de segurança, não há como trabalhar isoladamente"; depende de colaboração entre organizações e países |
| Henrique Faulhaber (CGI.br) | Defendeu conscientização dos usuários e materiais educativos, como a cartilha do CERT.br |
| Thiago Tavares (CGI.br) | Alertou para riscos de brinquedos conectados e questionou que regulação seria necessária para a internet das coisas |
| Tanara Lauschner (CGI.br) | Moderou a plenária |
Por que os brinquedos conectados preocupavam?
Thiago Tavares descreveu bonecas que se conectavam em tempo real a servidores dos fabricantes e alertou que esses produtos poderiam coletar dados de comportamento de crianças, trocar dados com estranhos, gravar áudio e facilitar fraudes. A preocupação ecoava a palestra de Lucimara Desiderá, do CERT.br, na Web.br de outubro de 2017, que citou dispositivos comprometidos como babás eletrônicas, brinquedos, carros e marca-passos.
Que recomendações saíram do debate?
As falas da plenária apontaram cinco frentes:
- Ampliar a formação em cibersegurança nas universidades.
- Incorporar segurança ao desenvolvimento de software desde o início.
- Estimular colaboração entre setores e entre países.
- Produzir materiais acessíveis de educação para usuários.
- Discutir regulação para dispositivos de internet das coisas.
O que isso significa hoje para quem contrata segurança e desenvolvimento?
A escassez de profissionais apontada em 2017 tem efeito direto na contratação: equipes internas pequenas tendem a depender de fornecedores especializados. Ao contratar uma software house, vale perguntar como a segurança entra no processo de desenvolvimento, se há revisão de código e testes de vulnerabilidade e quem responde por correções depois da entrega. Ao contratar uma empresa de cibersegurança, vale verificar a qualificação da equipe que vai atender a conta, e não apenas a marca do fornecedor.
Fontes
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Perguntas frequentes
O que foi discutido sobre cibersegurança no Fórum da Internet de 2017?
Na plenária de 15 de novembro de 2017, especialistas apresentaram tendências de ataques, como varreduras atrás de logins fracos e negação de serviço com botnets de IoT, e discutiram a falta de profissionais qualificados, a ausência de segurança no desenvolvimento de software e os riscos de dispositivos conectados.
Havia falta de profissionais de cibersegurança no Brasil em 2017?
Segundo Adriano Cansian, da Unesp, as universidades não formavam profissionais com as habilidades e atitudes necessárias, o que criava uma lacuna em relação ao mercado de trabalho. Ele defendeu ampliar a formação na área.
Quais riscos os brinquedos conectados trazem?
Segundo Thiago Tavares, do CGI.br, brinquedos conectados em tempo real a servidores dos fabricantes podem coletar dados de comportamento de crianças, gravar áudio, trocar dados com estranhos e facilitar fraudes.