Em 2017, o CERT.br recebeu 833.775 notificações de incidentes, 29% a mais que em 2016. Os ataques de negação de serviço chegaram a 220.188, quase quatro vezes o ano anterior, com pico em julho ligado a botnets de dispositivos IoT. Varreduras em SSH somaram 47% dos scans.
Em 2017, o volume de incidentes de segurança notificados ao CERT.br voltou a subir: foram 833.775 notificações, 29% a mais que em 2016. O principal motor foi a negação de serviço (DoS), com 220.188 notificações, quase quatro vezes o total do ano anterior. Segundo o CERT.br, a maior parte delas chegou em julho de 2017 e estava ligada a um ataque feito a partir de dispositivos de internet das coisas (IoT) infectados e organizados em botnets.
Os dados confirmam uma tendência que já aparecia em 2016: equipamentos conectados mal protegidos tinham virado infraestrutura de ataque em grande escala.
Quais foram os números de 2017?
A tabela reproduz a distribuição anual publicada pelo CERT.br.
| Tipo de incidente (2017) | Notificações | Participação | Variação sobre 2016 |
|---|---|---|---|
| Varreduras (scan) | 443.258 | 53% | +15% |
| Negação de serviço (DoS) | 220.188 | 26% | quase 4 vezes |
| Ataques a servidores web | 60.766 | 7% | +10% |
| Fraude | 59.319 | 7% | -42% |
| Worm | 45.101 | 5% | +60% |
| Outros | 4.742 | 0% | -68% |
| Invasão | 401 | 0% | -76% |
| Total | 833.775 | 100% | +29% |
Os percentuais são os publicados pelo CERT.br, arredondados; por isso, categorias com poucas notificações aparecem com 0%.
O que aconteceu com as varreduras?
As varreduras, tentativas automatizadas de encontrar serviços expostos, cresceram 15%. A distribuição por serviço mudou em relação aos anos anteriores:
- SSH (22/TCP): 47% das notificações de scan, o serviço mais visado.
- SMTP (25/TCP): 21%, contra 30% em 2016.
- Telnet (23/TCP): 9%.
- IMAP (143/TCP): 3%.
- RDP (3389/TCP): 2%.
- FTP (21/TCP) e porta 587/TCP: 1% cada.
Somadas, as varreduras nas portas 23 e 2323, que se destacavam desde 2015, representaram 14% do total e, segundo o CERT.br, miravam dispositivos IoT e equipamentos de rede doméstica, como modems e roteadores Wi-Fi. As varreduras em SMTP, IMAP e na porta 587 estavam ligadas a tentativas de envio de e-mail com dicionários de usuários, uso de relays abertos e força bruta de credenciais.
E as fraudes e os ataques web?
As tentativas de fraude caíram 42%. O phishing clássico, com páginas falsas de bancos e lojas virtuais, recuou 46%, e os cavalos de troia para roubo de credenciais caíram 7%. Em sentido contrário, páginas falsas de serviços como webmail e redes sociais cresceram 6%.
Os ataques a servidores web subiram 10%, para 60.766. Os atacantes seguiam explorando falhas em aplicações para hospedar páginas falsas, guardar ferramentas de ataque e disparar spam e golpes. A força bruta contra sistemas de gestão de conteúdo como WordPress e Joomla, em geral para adivinhar senhas de administrador, continuou presente.
O que os números de 2017 ensinam?
A série de 2015 a 2017 do CERT.br deixa três lições práticas:
- IoT é risco corporativo: modems, roteadores e outros dispositivos sem atualização podem ser recrutados para ataques contra terceiros.
- Credenciais continuam sendo alvo: varreduras em SSH, SMTP e IMAP indicam tentativas massivas de adivinhar senhas.
- Aplicações web exigem manutenção: CMS e plugins desatualizados seguem explorados ano após ano.
O que isso significa hoje para quem contrata segurança?
Ao contratar uma empresa de cibersegurança ou de infraestrutura, os dados de 2017 sugerem perguntas objetivas: como o fornecedor controla o acesso SSH e remoto aos servidores, se exige autenticação forte, como monitora tentativas de força bruta e como trata dispositivos conectados da rede da empresa. Para sites e sistemas web, vale prever no contrato a atualização contínua de plataformas e componentes, e não apenas a entrega inicial.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantos incidentes o CERT.br registrou em 2017?
O CERT.br recebeu 833.775 notificações de incidentes de segurança em 2017, 29% a mais que em 2016. As varreduras representaram 53% do total, e a negação de serviço, 26%.
Por que os ataques de negação de serviço cresceram tanto em 2017?
Segundo o CERT.br, a maioria das 220.188 notificações de DoS foi recebida em julho de 2017 e estava relacionada a um ataque originado de dispositivos de internet das coisas infectados, que formavam botnets.
Qual serviço foi o mais visado por varreduras em 2017?
O SSH (porta 22/TCP), usado para acesso remoto a servidores, respondeu por 47% das notificações de varredura em 2017, segundo o CERT.br. Em seguida veio o SMTP, com 21%.