Em 2016, o investimento em internet das coisas no Brasil cresceu 27,8% e chegou a US$ 6 bilhões, segundo ABES e IDC, com destaque para monitoramento de frotas e redes elétricas inteligentes. No mesmo ano, o CERT.br registrou alta de 138% em ataques de negação de serviço, a maioria com dispositivos IoT infectados.
Em 2016, a internet das coisas (IoT), a conexão de equipamentos como sensores, medidores, veículos e roteadores à internet, cresceu no Brasil como negócio e como risco. Segundo o estudo da ABES com a IDC divulgado em 2017, o investimento em IoT no país cresceu 27,8% e chegou a US$ 6 bilhões, com destaque para monitoramento de frotas (US$ 856 milhões) e redes elétricas inteligentes (US$ 631 milhões). No mesmo ano, o CERT.br registrou alta de 138% nas notificações de ataques de negação de serviço, a maior parte envolvendo dispositivos IoT infectados e usados como botnets.
O ano também levou o tema ao centro do debate técnico: a Conferência Web.br 2016, do W3C Brasil, teve como tema a "Internet das Coisas na Web".
Qual era o tamanho do mercado de IoT?
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Projeção da IDC para IoT no Brasil em 2016 (jan. 2016) | US$ 4,1 bilhões | IDC |
| Investimento em IoT realizado em 2016 | US$ 6 bilhões, alta de 27,8% | ABES e IDC |
| Monitoramento de frotas | US$ 856 milhões | ABES e IDC |
| Redes elétricas inteligentes (smart grid) | US$ 631 milhões | ABES e IDC |
| Dispositivos conectados domésticos (projeção para 2016) | US$ 37 milhões | IDC |
No início de 2016, a IDC previa que empresas migrariam aplicações tradicionais, como telemetria e monitoramento, para soluções de IoT, e encontrou ao menos um dispositivo conectado em cerca de 10% dos domicílios pesquisados. Jorge Sukarie, presidente do conselho da ABES, afirmou em 2017 que a IoT estava intrinsecamente ligada à reinvenção dos negócios.
Como a IoT virou problema de segurança?
O mesmo ano mostrou o outro lado da expansão. Segundo o CERT.br:
- Negação de serviço: 60.432 notificações em 2016, alta de 138%, a maioria com dispositivos IoT infectados que faziam parte de botnets.
- Varreduras em Telnet: 28% das varreduras miravam a porta 23, em busca de dispositivos IoT e equipamentos domésticos, como modems e roteadores.
- Códigos maliciosos: a atividade foi associada à disseminação de malware que infecta dispositivos IoT.
Cristine Hoepers, gerente do CERT.br, defendeu que a instalação de dispositivos IoT levasse em conta a proteção contra infecção por botnets.
O que a Web.br 2016 discutiu?
A 8ª edição da Conferência Web.br, realizada em 13 e 14 de outubro de 2016 em São Paulo, teve o tema "Internet das Coisas na Web". A programação incluiu trilhas sobre IoT na web, dados na web, compras online, acessibilidade, aplicações web, ataques DDoS e segurança e privacidade. Entre os palestrantes estavam Bert Bos, um dos criadores do CSS, e Dave Raggett, líder do grupo de trabalho Web of Things do W3C.
O que empresas que adotavam IoT precisavam considerar?
Os dados de 2016 apontavam cuidados práticos para quem contratava projetos de IoT:
- Senhas padrão: equipamentos instalados com configuração de fábrica eram alvos de varreduras em massa.
- Atualização de firmware: dispositivos sem atualização acumulam vulnerabilidades.
- Serviços expostos: Telnet e outros serviços abertos facilitavam a infecção.
- Monitoramento: tráfego anormal saindo de dispositivos pode indicar que eles foram recrutados para ataques.
- Padrões abertos: a integração com a web por padrões, discutida na Web.br, facilita manutenção e interoperabilidade.
O que isso significa hoje para quem contrata projetos de IoT?
Ao contratar uma software house ou integradora para um projeto de IoT, vale exigir que segurança faça parte da especificação: troca obrigatória de credenciais, atualização remota de firmware, desativação de serviços desnecessários e monitoramento do tráfego dos dispositivos. O ganho operacional da IoT é real, como mostraram os investimentos em frotas e redes elétricas, mas um dispositivo mal configurado pode virar arma contra terceiros.
Fontes
- Convergência Digital: Internet das Coisas cresce quase três dígitos e impulsiona o software (ago. 2017)
- CERT.br: Incidentes reportados em 2016, análise de alguns fatos de interesse
- W3C Brasil, via lista de anúncios do NIC.br: 8ª edição da Conferência Web.br desvenda a Internet das Coisas na Web (out. 2016)
- Hardware.com.br: Previsão da IDC para o mercado de TIC no Brasil em 2016
- NIC.br, via lista de anúncios: CERT.br registra aumento de ataques de negação de serviço em 2016 (jul. 2017)
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Perguntas frequentes
Quanto o Brasil investiu em internet das coisas em 2016?
Segundo o estudo da ABES com a IDC divulgado em 2017, o investimento em IoT no Brasil chegou a US$ 6 bilhões em 2016, alta de 27,8%. Os destaques foram monitoramento de frotas, com US$ 856 milhões, e redes elétricas inteligentes, com US$ 631 milhões.
Por que dispositivos IoT foram usados em ataques em 2016?
Segundo o CERT.br, muitos dispositivos IoT e equipamentos domésticos eram infectados por códigos maliciosos, frequentemente por meio de serviços expostos e senhas fracas, e passavam a integrar botnets usadas em ataques de negação de serviço.
O que foi a Web.br 2016?
Foi a 8ª edição da conferência do W3C Brasil, realizada em São Paulo em 13 e 14 de outubro de 2016, com o tema "Internet das Coisas na Web" e trilhas sobre dados, segurança, acessibilidade e aplicações web.