Em 2016, o CERT.br recebeu 647.112 notificações de incidentes, 10% menos que em 2015, mas os ataques de negação de serviço subiram 138%, para 60.432. A maioria envolvia dispositivos de internet das coisas infectados e usados como botnets, e as varreduras em SMTP saltaram para 30%.
Em 2016, o número total de incidentes de segurança notificados ao CERT.br caiu cerca de 10%, para 647.112, mas um tipo de ataque cresceu de forma acentuada: as notificações de negação de serviço (DoS) subiram 138%, chegando a 60.432. Segundo o CERT.br, a maior parte desses ataques envolvia dispositivos de internet das coisas (IoT) e equipamentos de rede doméstica, como modems e roteadores, infectados e controlados como parte de botnets, as redes de equipamentos comprometidos usadas em ataques coordenados.
As estatísticas foram divulgadas pelo NIC.br em julho de 2017 e mostram uma mudança de perfil: o ataque deixou de depender só de servidores mal configurados e passou a usar equipamentos baratos instalados em casas e empresas.
Quais foram os números de 2016?
A tabela reproduz a distribuição publicada pelo CERT.br para o ano.
| Tipo de incidente (2016) | Notificações | Participação | Variação sobre 2015 |
|---|---|---|---|
| Varreduras (scan) | 383.903 | 59% | -2% |
| Fraude | 102.718 | 15% | -39% |
| Negação de serviço (DoS) | 60.432 | 9% | +138% |
| Ataques a servidores web | 55.441 | 8% | -16% |
| Worm | 28.248 | 4% | não informado |
| Outros | 14.675 | 2% | -30% |
| Invasão | 1.695 | 0% | -31% |
| Total | 647.112 | 100% | -10% |
Os percentuais são os publicados pelo CERT.br, arredondados.
Por que os dispositivos IoT viraram arma de ataque?
O CERT.br registrou que as varreduras na porta 23 (Telnet), que já chamavam atenção em 2015, representaram 28% das notificações de scan em 2016. Segundo a entidade, elas buscavam dispositivos IoT e equipamentos de rede doméstica, como modems ADSL e a cabo e roteadores Wi-Fi, e estavam ligadas à disseminação de códigos maliciosos que infectam esses aparelhos.
Ao mesmo tempo, as notificações de DoS por amplificação, que exploram serviços como DNS, NTP, SNMP, SSDP e CHARGEN mal configurados, caíram de forma perceptível. Cristine Hoepers, gerente do CERT.br, observou que ainda existiam muitos serviços mal configurados que permitiam esse abuso, e defendeu que a instalação de dispositivos IoT levasse em conta a proteção contra infecção por botnets.
O que mais mudou em 2016?
Outros movimentos do ano, segundo a análise do CERT.br:
- Varreduras em SMTP: a porta 25 saltou de menos de 7% das varreduras em 2015 para 30% em 2016, ligadas a tentativas de envio de e-mail com dicionários de usuários, uso de relays abertos e força bruta com credenciais existentes.
- Phishing clássico em alta: páginas falsas de bancos e lojas virtuais cresceram 37%, enquanto as falsificações de webmail e redes sociais caíram 18%.
- Cavalos de troia em queda: notificações de trojans usados para roubar credenciais caíram 46%.
- Força bruta contra CMS: tentativas de adivinhar senhas de administradores de WordPress e Joomla continuaram.
- Servidores invadidos: 1.695 notificações, a maioria de sites desfigurados.
Quais recomendações o CERT.br fez?
Na divulgação dos dados, o CERT.br listou cuidados para três públicos:
- Administradores de rede: configurar corretamente os serviços para impedir abuso em ataques de amplificação.
- Quem instala dispositivos IoT: proteger os equipamentos contra infecção por botnets desde a instalação, por exemplo trocando senhas padrão.
- Usuários: manter antivírus, sistema e programas atualizados, usar firewall pessoal e evitar links de origem desconhecida.
Hoepers resumiu que ações simples podem minimizar os riscos.
O que isso significa hoje para quem contrata segurança e infraestrutura?
O ano de 2016 mostrou que qualquer equipamento conectado faz parte da superfície de ataque, inclusive modems e roteadores que ninguém lembra de atualizar. Ao contratar uma empresa de cibersegurança ou de infraestrutura, vale pedir inventário dos dispositivos conectados, política de troca de senhas padrão, atualização de firmware e um plano de resposta a ataques de negação de serviço, com apoio do provedor de conexão.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantos incidentes o CERT.br registrou em 2016?
O CERT.br recebeu 647.112 notificações de incidentes de segurança em 2016, cerca de 10% menos que em 2015. Os dados foram divulgados pelo NIC.br em julho de 2017.
Por que os ataques de negação de serviço cresceram em 2016?
Segundo o CERT.br, a maior parte das notificações de DoS em 2016 envolvia dispositivos de internet das coisas infectados que faziam parte de botnets. As notificações desse tipo subiram 138%, para 60.432.
O que são as varreduras em Telnet citadas pelo CERT.br?
São tentativas automatizadas de encontrar equipamentos com o serviço Telnet (porta 23) acessível, em geral para testar senhas. Em 2016, elas representaram 28% das varreduras notificadas e miravam principalmente dispositivos IoT, modems e roteadores domésticos.