Em 2015, o Nubank, fintech de David Vélez que recebeu o primeiro aporte em 2013, levantou US$ 30 milhões em rodada Série B liderada pela Tiger Global. O cartão sem anuidade, gerido pelo celular, tinha mais de 200 mil pedidos e fila de espera, e em janeiro de 2016 a empresa anunciou mais US$ 50 milhões.
Em 2015, o Nubank, fintech fundada por David Vélez, que recebeu seu primeiro aporte em 2013, se tornou um dos casos mais comentados do ecossistema de startups brasileiro. Em junho, a empresa anunciou uma rodada Série B de US$ 30 milhões liderada pela Tiger Global Management, elevando o total captado para US$ 46,3 milhões. Seu produto era um cartão de crédito Mastercard sem anuidade, solicitado e gerido inteiramente pelo celular, que já reunia mais de 200 mil pedidos e uma fila de espera de cerca de 100 mil pessoas. Em janeiro de 2016, veio uma Série C de US$ 50 milhões, liderada pelo Founders Fund.
A trajetória daquele ano ajuda a entender como produtos financeiros digitais começaram a disputar espaço com bancos tradicionais no Brasil.
Quanto o Nubank captou em 2015?
As rodadas da época, conforme reportagens do TechCrunch (reproduzida pela LAVCA) e do Baguete, estão resumidas a seguir.
| Rodada | Data do anúncio | Valor | Líder | Outros participantes |
|---|---|---|---|---|
| Série A | Setembro de 2014 | US$ 14,3 milhões | Não informado na reportagem | Não informado na reportagem |
| Série B | Junho de 2015 | US$ 30 milhões | Tiger Global Management | Sequoia Capital, Kaszek Ventures, QED Investors |
| Série C | Janeiro de 2016 | US$ 50 milhões (cerca de R$ 200 milhões) | Founders Fund | Sequoia Capital, Tiger Global, Kaszek Ventures |
Com a Série B, o total captado chegou a US$ 46,3 milhões. O valor de mercado da empresa não foi divulgado. Na mesma rodada, entraram no conselho Nigel Morris, sócio da QED e cofundador da Capital One, e Gene Lockhart, ex-presidente global da Mastercard.
Como era o produto do Nubank em 2015?
Segundo a reportagem do TechCrunch, o produto tinha algumas características que o diferenciavam dos cartões oferecidos por bancos:
- Tudo pelo celular: pedido, aprovação e gestão do cartão eram feitos pelo aplicativo.
- Sem anuidade: a empresa não cobrava tarifa anual.
- Juros menores: 7,75% ao mês, contra 10% a 12% ao mês nos bancos tradicionais, segundo a reportagem.
- Receita por intercâmbio: o faturamento vinha principalmente da tarifa de intercâmbio, perto de 2% das transações.
- Análise de crédito com muitos dados: a aprovação usava de 2.000 a 3.000 variáveis, contra cerca de 10 nos bancos, segundo a empresa.
Os portadores já tinham feito mais de 750 mil compras. O crescimento vinha sobretudo de indicação boca a boca e de uma fila de espera mantida de forma deliberada.
Por que a fila de espera virou estratégia?
A fila controlava o ritmo de crescimento num negócio em que cada novo cliente representa risco de crédito, e ao mesmo tempo gerava interesse. Em janeiro de 2016, segundo o Baguete, mais de 1,6 milhão de pessoas já tinham entrado na fila para pedir o cartão. A empresa planejava expandir para mais clientes e lançar produtos de poupança e crédito.
O que o caso mostra sobre produto digital em 2015?
O Nubank de 2015 reunia elementos que depois se tornariam padrão em produtos digitais:
- Experiência móvel como produto: o aplicativo não era um canal complementar, era o próprio serviço.
- Decisões baseadas em dados: o modelo de crédito com milhares de variáveis era parte central da proposta.
- Crescimento orgânico: a indicação de clientes substituía grande parte da mídia paga.
- Capital de risco internacional: fundos como Sequoia, Tiger Global e Founders Fund passaram a apostar em fintechs brasileiras.
O contexto ajuda a dimensionar o feito. As rodadas aconteceram num ano em que o PIB brasileiro caiu 3,8%, segundo o IBGE.
O que isso significa hoje para quem contrata desenvolvimento de produtos financeiros?
Para empresas que contratam uma software house para criar um produto financeiro digital, o exemplo de 2015 mostra que o aplicativo é apenas a parte visível. Motor de crédito, integração com bandeiras e processadoras, atendimento, prevenção a fraudes e conformidade regulatória pesam tanto quanto a interface. Avaliar se o fornecedor já trabalhou com esses componentes evita surpresas no meio do projeto.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quanto o Nubank captou em 2015?
Em junho de 2015, o Nubank anunciou uma rodada Série B de US$ 30 milhões, liderada pela Tiger Global Management, com participação de Sequoia Capital, Kaszek Ventures e QED Investors. O total captado chegou a US$ 46,3 milhões. Em janeiro de 2016, a empresa anunciou mais US$ 50 milhões na Série C.
Como funcionava o cartão do Nubank em 2015?
Era um cartão de crédito Mastercard sem anuidade, pedido e gerido pelo aplicativo no celular. Segundo reportagem do TechCrunch, os juros eram de 7,75% ao mês, e a receita vinha principalmente da tarifa de intercâmbio.
Quantas pessoas estavam na fila do Nubank?
Em meados de 2015, havia mais de 200 mil pedidos e cerca de 100 mil pessoas na fila de espera. Em janeiro de 2016, segundo o Baguete, mais de 1,6 milhão de pessoas já tinham entrado na fila.