Antes de assinar com um fornecedor de IA, pergunte sobre experiência comprovável, abordagem técnica, uso e local dos dados, avaliação de qualidade, custo de operação, propriedade intelectual, suporte e saída do contrato. As respostas devem vir por escrito e entrar no contrato.
Antes de assinar com um fornecedor de inteligência artificial, faça perguntas que cubram cinco áreas: experiência comprovável, abordagem técnica, tratamento de dados, qualidade e custo, e condições contratuais de propriedade e saída. As 15 perguntas a seguir servem como roteiro de reunião e como checklist de proposta. O mais importante é pedir as respostas por escrito e garantir que os compromissos assumidos apareçam no contrato.
Como usar esta lista?
Envie as perguntas antes da reunião e peça respostas por escrito. Isso permite comparar fornecedores na mesma base e evita que promessas verbais se percam. Durante a conversa, preste atenção não apenas ao conteúdo, mas à forma: fornecedores maduros respondem com exemplos concretos e admitem limitações.
Organizamos as perguntas em cinco blocos.
| Bloco | Perguntas | O que você descobre |
|---|---|---|
| Experiência | 1 a 3 | Se o fornecedor já resolveu problemas parecidos |
| Abordagem técnica | 4 a 6 | Se a solução proposta faz sentido para o seu caso |
| Dados e segurança | 7 a 9 | Se os dados da empresa estarão protegidos |
| Qualidade e custo | 10 a 12 | Se o resultado será medido e se a operação cabe no orçamento |
| Contrato e saída | 13 a 15 | Se a empresa fica protegida no longo prazo |
Experiência: o fornecedor já fez isso antes?
1. Quais projetos parecidos com o nosso vocês entregaram e como posso confirmar? Peça casos com problema, solução e resultado descritos, além de contato de clientes que possam confirmar. Avaliações verificadas em diretórios independentes ajudam na checagem.
2. Quem da equipe vai trabalhar no projeto e qual é a experiência dessas pessoas? A equipe apresentada na venda nem sempre é a que executa. Pergunte nomes, papéis e dedicação.
3. Em quais situações vocês recomendariam não usar IA? A resposta revela maturidade. Fornecedores sérios sabem que muitos problemas se resolvem com automação simples ou ajustes de processo.
Abordagem técnica: a solução faz sentido?
4. Qual arquitetura vocês propõem e por quê? O fornecedor deve explicar, em linguagem acessível, se usará um LLM (modelo de linguagem de grande porte), RAG (técnica em que o modelo consulta documentos da empresa antes de responder), um agente que executa ações ou modelos tradicionais de aprendizado de máquina, e por que essa escolha é adequada.
5. Qual modelo será usado e é possível trocá-lo no futuro? Modelos evoluem rápido. Uma arquitetura que isola o acesso ao modelo permite mudar de provedor ou de modelo sem reconstruir o sistema.
6. Como a solução se integra aos nossos sistemas atuais? Pergunte quais integrações estão incluídas, quem faz cada parte e o que depende da equipe interna.
Dados e segurança: o que acontece com as informações?
7. Onde os dados serão processados e armazenados? Inclua dados de origem, embeddings (representações numéricas do texto usadas na busca), registros de conversa e cópias de teste.
8. Os dados enviados podem ser usados para treinar modelos do fornecedor ou de terceiros? A resposta deve ser clara e constar no contrato, inclusive em relação aos provedores de modelo contratados pelo fornecedor.
9. Como o projeto atende à LGPD e quais controles de segurança existem? Pergunte sobre controle de acesso, registro de operações, retenção e comunicação de incidentes. Práticas alinhadas a normas como ISO 27001 e ISO 42001 são bons sinais. O enquadramento jurídico do seu caso deve ser validado com o advogado ou o encarregado de dados (DPO).
Qualidade e custo: como medir e quanto custa operar?
10. Como a qualidade será medida antes e depois da entrada em produção? Espere ouvir sobre conjuntos de teste com casos reais, critérios de aceite e revisão periódica de amostras.
11. O que o sistema faz quando erra ou não sabe a resposta? Bons sistemas admitem incerteza, transferem para pessoas e registram os casos para melhoria.
12. Qual é o custo mensal estimado de operação para o nosso volume? Peça a separação entre implantação, consumo de modelos, infraestrutura e sustentação, com a premissa de volume explícita. Isso evita surpresas depois que o sistema ganha uso.
Contrato e saída: a empresa fica protegida?
13. A quem pertencem o código, as configurações, as instruções e as bases criadas? O ideal é que tudo o que for desenvolvido para o projeto pertença a quem paga, com acesso ao repositório e documentação.
14. Quais são os níveis de serviço e o suporte após a entrega? Defina disponibilidade, prazos de resposta a incidentes, janela de suporte e o que acontece quando o provedor do modelo muda algo que afeta o sistema.
15. Como funciona a saída do contrato? Pergunte sobre devolução e exclusão de dados, entrega de documentação e apoio na transição para outro fornecedor ou para a equipe interna.
Quais respostas devem acender um alerta?
Algumas respostas indicam risco e merecem investigação antes de seguir:
- promessas de resultado em percentuais antes de conhecer o processo e os dados;
- recusa em explicar onde os dados ficam ou quem tem acesso a eles;
- ausência de plano de avaliação de qualidade;
- contratos que impedem a exportação de dados e configurações;
- custo de operação não estimado ou tratado como detalhe;
- equipe de execução indefinida.
Nenhum desses pontos, isoladamente, descarta um fornecedor. Mas, somados, indicam que o risco do projeto está sendo transferido para o cliente.
Como transformar as respostas em decisão?
Monte uma matriz simples: nas linhas, as 15 perguntas; nas colunas, os fornecedores. Atribua uma nota a cada resposta e destaque as que são eliminatórias para a sua empresa, como uso de dados para treinamento ou ausência de direito sobre o código. Compare também o custo total estimado para o período do contrato, não apenas o valor de implantação. Se houver empate, uma prova de conceito curta com critérios definidos costuma desempatar.
Próximo passo
Use esta lista para comparar empresas de inteligência artificial verificadas com a ferramenta de comparação e confira os critérios públicos dos rankings em /metodologia. Se você é fornecedor de IA e quer ser encontrado por quem está contratando, reivindique gratuitamente o perfil da sua empresa em /cadastro.
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Perguntas frequentes
Preciso fazer todas as 15 perguntas a cada fornecedor?
Para projetos relevantes, sim, porque cada bloco cobre um risco diferente. Em contratações menores, priorize as perguntas sobre dados, custo de operação e propriedade intelectual. O ideal é enviar a lista antes da reunião e receber as respostas por escrito.
O que fazer se o fornecedor não souber responder alguma pergunta?
Uma resposta do tipo "vamos verificar e retornamos" é aceitável, desde que o retorno venha por escrito e com consistência. Já a incapacidade de responder sobre dados, segurança ou custo de operação é sinal de imaturidade. Nesses casos, considere outros fornecedores antes de decidir.
As respostas do fornecedor precisam entrar no contrato?
Os compromissos mais importantes, sim: uso e local dos dados, propriedade intelectual, níveis de serviço, critérios de aceite e condições de saída. Promessas feitas apenas em reunião ou em apresentação são difíceis de cobrar depois. Revise o contrato com o jurídico antes de assinar.
Como comparar fornecedores que propõem soluções técnicas diferentes?
Compare pelo problema de negócio, não pela tecnologia. Verifique qual proposta atinge o critério de sucesso com menor risco e custo total, incluindo a operação mensal. Uma prova de conceito curta com os mesmos critérios para todos ajuda a desempatar.