# Em 2015, a recessão encolheu o PIB, mas não parou o investimento em TI no Brasil — Citeo

> Em 2015 o PIB brasileiro caiu 3,8%, a maior retração da série do IBGE iniciada em 1996, e o investimento das empresas recuou 14,1%. Mesmo assim, o mercado...

Fonte: https://mail.citeo.com.br/artigo/2015-recessao-e-gastos-de-ti-no-brasil · Atualizado em 21/10/2026

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 Retrospectiva 2015 · Contratação# Em 2015, a recessão encolheu o PIB, mas não parou o investimento em TI no Brasil

 **Redação Citeo** Publicado em 31/12/2015 Revisado em 17/10/2026 **Período analisado: 2015** 4 min de leitura 

  Resposta rápidaEm 2015 o PIB brasileiro caiu 3,8%, a maior retração da série do IBGE iniciada em 1996, e o investimento das empresas recuou 14,1%. Mesmo assim, o mercado de TI cresceu 9,2% segundo ABES e IDC, puxado por software, enquanto as previsões para 2016 já apontavam desaceleração forte.

 

Em 2015, a economia brasileira teve a pior retração da série atual do IBGE: o PIB caiu 3,8% e o investimento das empresas (formação bruta de capital fixo) despencou 14,1%. O setor de tecnologia, porém, seguiu outra curva. Segundo o estudo anual da ABES com dados da IDC, o mercado de TI cresceu 9,2% no ano, com software subindo 30,2%. A conta mudou em 2016, quando as projeções passaram a indicar crescimento de apenas 2,6% a 3%.

Olhar para esse ano ajuda a entender um padrão que se repetiu em outras crises: quando a receita aperta, as empresas cortam equipamentos e projetos grandes, mas tendem a preservar o que gera eficiência imediata.

## Qual foi o tamanho da recessão de 2015?

Os números do IBGE, divulgados em março de 2016, mostram uma retração espalhada por quase toda a economia. A indústria de transformação caiu 9,7% e a construção, 7,6%. O consumo das famílias recuou 4,0%, depois de ter crescido 1,3% em 2014. O real se desvalorizou 42% no ano, o que encareceu tudo o que era importado, inclusive hardware e licenças cotadas em dólar.

Indicador (IBGE, 2015)VariaçãoPIB-3,8%Indústria-6,2%Serviços-2,7%Agropecuária+1,8%Formação bruta de capital fixo (investimento)-14,1%Consumo das famílias-4,0%Importações de bens e serviços-14,3%

O PIB nominal ficou em R$ 5,904 trilhões e o PIB per capita caiu 4,6%. A queda anterior comparável na série estendida havia sido em 1990, com -4,3%.

## Como o mercado de TI se comportou no mesmo ano?

O estudo da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), feito com a consultoria IDC e publicado em junho de 2016, registrou crescimento de 9,2% do mercado brasileiro de TI em 2015, contra uma média mundial de 5,6%. O total investido somou US$ 59,9 bilhões.

A divisão por segmento mostra onde estava o fôlego:

- **Software**: US$ 12,3 bilhões, alta de 30,2%, o segmento que puxou a média para cima.
- **Serviços**: US$ 14,3 bilhões, alta de 8,2%.
- **Hardware**: US$ 33,4 bilhões, alta de 6,3%, o menor ritmo entre os três.

Um ponto de cautela: os valores do estudo são em dólar e o crescimento é medido sobre bases que mudaram com o câmbio, por isso a comparação direta com o PIB em reais deve ser feita com cuidado. Ainda assim, a direção era clara: tecnologia resistiu melhor do que o restante da economia.

## O que as previsões para 2016 já indicavam?

No fim de janeiro de 2016, a IDC Brasil projetou crescimento de apenas 2,6% para o mercado de TIC (tecnologia da informação e telecomunicações) naquele ano. Denis Arcieri, country manager da IDC Brasil, disse que o número era baixo, mas não surpreendente, porque a economia restringia investimentos. A consultoria esperava queda nas vendas de dispositivos, com cerca de 40 milhões de celulares, 6 milhões de PCs e 5 milhões de tablets. Também registrou que, em 2015, as assinaturas de telefonia móvel caíram pela primeira vez na série histórica.

A ABES, por sua vez, previu para 2016 crescimento de cerca de 3% em TI, perto de um terço do registrado em 2015. Entre as tendências citadas pela IDC estavam a nuvem pública crescendo cerca de 20% ao ano até o fim da década e a segurança ganhando pelo menos 2 pontos percentuais no orçamento de TI.

## Por que a TI resistiu melhor do que a economia?

Os próprios estudos da época apontam algumas pistas, sem que seja possível isolar uma única causa:

1. **Software como ferramenta de eficiência**: o salto de 30,2% em software sugere que empresas buscaram automatizar processos para fazer mais com menos gente.
2. **Transformação digital no planejamento**: a ABES registrou que 54% das médias e grandes empresas planejavam investir em transformação digital em 2016.
3. **Nuvem como alternativa ao investimento em equipamento**: com o dólar alto e o investimento em queda, contratar capacidade sob demanda era uma forma de não imobilizar capital.

## O que isso significa hoje para quem contrata serviços digitais?

A lição de 2015 não é que tecnologia seja imune a crises. É que, em períodos de aperto, projetos com retorno mensurável e prazo curto sobrevivem melhor do que iniciativas longas e difusas. Para quem contrata uma software house ou uma consultoria, isso se traduz em escopos menores, entregas incrementais e indicadores definidos desde o início. Fornecedores que conseguiam demonstrar ganho de eficiência tiveram mais espaço naquele ciclo.

## Fontes

- [Agência Brasil: IBGE, PIB fecha 2015 com queda de 3,8%](https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-03/ibge-pib-fecha-2015-com-queda-de-38)
- [IT Forum: Mercado de TI no Brasil cresce 9,2% em 2015, aponta Abes](https://itforum.com.br/mercado-de-ti-no-brasil-cresce-92-em-2015-aponta-abes/)
- [Baguete: Setor de TI entra em espiral negativa](https://www.baguete.com.br/noticias/setor-de-ti-entra-em-espiral-negativa)
- [Hardware.com.br: Previsão da IDC para o mercado de TIC no Brasil em 2016 aponta crescimento de 2,6%](https://www.hardware.com.br/noticias/pesquisa-da-idc-para-mercado-de-tic-no-brasil-em-2016-aponta-crescimento-de/amp/)

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## Perguntas frequentes

### Quanto o PIB brasileiro caiu em 2015?

Segundo o IBGE, o PIB caiu 3,8% em 2015, a maior retração da série atual, iniciada em 1996. O investimento das empresas recuou 14,1% e o consumo das famílias caiu 4,0%. Na série estendida, a queda só se compara à de 1990, quando o recuo foi de 4,3%.

### O mercado de TI cresceu mesmo durante a recessão de 2015?

Sim, segundo o estudo da ABES com a IDC, o mercado brasileiro de TI cresceu 9,2% em 2015 e somou US$ 59,9 bilhões. O segmento de software foi o destaque, com alta de 30,2%. As previsões para 2016, porém, indicavam desaceleração para algo entre 2,6% e 3%.

### Quais segmentos de TI sofreram mais em 2015 e 2016?

O hardware foi o segmento que menos cresceu em 2015, com alta de 6,3%, e a IDC projetou para 2016 queda nas vendas de celulares, computadores e tablets. A desvalorização de 42% do real encareceu equipamentos importados, o que ajuda a explicar a diferença em relação a software e serviços.

  

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